19 de abr de 2012

O poder da indústria pornográfica

O poder da indústria pornográfica

A chocante suspensão da Dra. Price
por GAIL DINES

À medida que as faculdades se tornam mais corporativas ouvimos cada vez mais histórias de acadêmicos sendo punidos por ter a audácia de falar contra a maleficência corporativa. Isso não só limita a liberdade de expressão dos acadêmicos, mas também serve para, através do medo, forçar os professores a aderir ao discurso hegemônico.

O exemplo mais recente é chocante. Jammie Price, professora titular da Appalachian State University, foi suspense no mês passado por exibir o documentário “The Price of Pleasure: Pornography, Sexuality and Relationships” (O Preço do Prazer: Pornografia, Sexualidade e Relacionamentos). Distribuída pela Media Education Foundation, uma das mais respeitadas produtoras de documentários progressistas no país, o filme pretende ver como a pornografia tradicional (“mainstream”) não só tem se tornado mais violenta e misógina, mas verdadeiramente se deita na mesma cama das maiores instituições financeiras como empresas de cartão de crédito, investidores em capitais de risco, empresas a cabo e hotéis (que ganham mais dinheiro com pornografia do que com consumo de minibares).

Após mostrar o filme a 120 alunos, três deles, claro, queixaram-se à administração da universidade alegando que a Dra Price estava exibindo “material impróprio” na sala. Não foi permitido à Dra Price saber quem eram os estudantes ou conversar com eles, foi-lhe negada uma audiência e foi imediatamente suspensa e informada de que não poderia entrar nos gabinetes ou salas de aula nas dependências do prédio de Artes e Ciências. Caso quisesse obter “materiais, arquivos de computador, recolher correspondência...” teria que ser escoltada por um membro da faculdade.

Que interessante que uma universidade decida que uma análise acadêmica de uma das indústrias mais lucrativas do mundo seja “imprópria”. O que exatamente esperam que ensinemos? Talvez se Jammie Price lecionasse em uma escola de negócios e mostrasse um caso sobre como matar no pornô ela poderia ter se safado. Ou, talvez, por segurança, a Dra Price deveria ter convidado um pornógrafo para promover seus produtos. Em 2008 a imprensa pornográfica ficou alvoroçada com a grande notícia que Joanna Angel, proprietária do site pornô Burning Angel, havia sido convidada para falar a uma turma de alunos de sexualidade humana na Universidade de Indiana. Não houve tentativa, por parte do site de notícias pornô X Critic, de fingir que esse seria um evento educacional quando escreveram: “Ela irá mostrar aos alunos clipes de seus filmes, distribuir brinquedos eróticos e iluminá-los com uma visão positiva da pornografia”.

Eu escrevi uma carta de reclamação ao presidente da Universidade de Indiana salientando que o papel de uma sala de aula de uma universidade era educar os alunos, não fornecer uma plateia cativa para os capitalistas empurrarem seus produtos. O escritório do presidente respondeu de maneira muito esquisita. Eles pediram ao professor que se desculpasse comigo por convidar Joanna Angel, como se tudo isso fosse um insulto pessoal. Acho que devemos falar sobre a pornografia na sala de aula, mas não como uma indústria divertida que vende fantasias, mas como uma indústria global que trabalha como qualquer outra indústria, com planos de negócios, nichos de mercado, investidores e a necessidade cada vez maior de maximizar lucros.

Parece-me que o crime de Price foi fornecer uma crítica progressista da indústria pornográfica, em vez de incensar liricamente como a pornografia dá, sexualmente, poder às mulheres. Ela mostrou um filme que lança um olhar inflexível sobre a verdadeira indústria pornográfica. Em lugar de dizer que o pornô nos dá poder, O Preço do Prazer se aprofunda nos podres da indústria, ilustrando suas ideias com imagens retiradas de alguns dos mais populares sites pornográficos. Essas imagens não são bonitas, nem muito eróticas. Vemos mulheres sendo sufocadas por pênis, cobertas de esperma, sendo esbofeteadas e cuspidas, e em uma cena particularmente horrível,uma mulher vomitando após ter lambido um pênis que havia acabado de ser introduzido em seu ânus (chamado Ass to Mouth na indústria – prefiro não traduzir, mas dá para entender).

Nunca ouvi falar de um acadêmico ser suspenso por falar sobre ou exibir pornografia. Isso não é mesmo uma surpresa porque a tendência na academia é evitar falar sobre a verdadeira indústria e como ela interage com o capitalismo mainstream. Em recente conferência acadêmica da qual participei em Londres, me vi cercada de acadêmicos pós-modernos que poderiam se beneficiar de uma boa dose de economia política. A sessão plenária era composta por acadêmicos argumentando que “ela” não existe, referindo-se à indústria pornô, porque há tantos produtores de pornografia e tantos tipos de pornografia na internet que seria impossível apontar uma verdadeira indústria. O interessante é que, enquanto “ela” não existe, existem, de fato, feiras de negócios pornô, sites de negócios pornô, empresas de relações públicas pornô, grupos de lobby pornô e assim por diante. Todas essas coisas sugerem que existe de fato um negócio pornô.

O fracasso na perda de visão sobre como a indústria funciona foi percebida pelos próprios pornógrafos. Andrew Edmond, Presidente e CEO da Flying Crocodile, uma empresa de pornografia na internet de 20 milhões de dólares, explicou à Brandweek que “muitas pessoas [fora do entretenimento adulto] têm sua atenção desviada do modelo de negócio pelo [sexo]. É tão sofisticado e multifacetado como qualquer outro mercado. Operamos da mesma forma que qualquer empresa listada na Fortune 500 (Brandweek, October, 2000, 41, 1Q48). Jammie Price não teve sua atenção desviada pelo sexo, e por isso pagou caro.


GAIL DINES é professor de sociologia e estudos da mulher na Wheelock College em Boston. Seu ultimo livro é “Pornland: How Porn Has Hijacked our Sexuality” (Beacon Press) (Pornolândia: como a pornografia sequestrou nossa sexualidade). Ela é membro-fundadora da Stop Porn Culture (stoppornculture.org).

Traduzido (às pressas, mas com o auxílio luxuoso de Lola Aronovich) do material publicado neste site: Counterpunch

31 comentários:

  1. Que legal vc ter traduzido esse artigo, Flavio! Tá muito bom. Então, talvez:
    "Talvez se Jammie Price lecionasse em uma escola de negócios e mostrasse um caso sobre como matar no pornô ela [might have been given a pass] . Poderia ter se safado?"
    Eu sou muito ruim em tradução!
    Abraço.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Puxa, que honra! Estou super-emocionado por você ter postado este comentário! E achei sua solução para o texto ótima! Vou entrar no blog e fazer a correção. Obrigado, mesmo, pela sugestão.

    Eu amo tradução, mas acho extremamente difícil. Faço tradução para empresas (em duas áreas distintas: jurídico e laticínios) como frila, mas gosto de artigos científicos e jornalísticos. Se você quiser, posso tentar contribuir traduzindo artigos que você ache interessante divulgarmos.

    Aliás, só tenho a agradecer a você por ter me levado descobrir várias coisas interessantes na internet - algumas diretamente, como o site Teaching Tolerance, outras indiretamente, como o Counterpunch, fora vários blogs no Brasil mesmo.

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  4. Oi, Flávio!
    Vim pelo blog da Lola. Que legal você ter traduzido este texto!
    Tem vários textos que eu gostaria de traduzir da Gail Dines, mas falta tempo...
    Peço sua autorização para publicar no meu blog:
    www.feminismonanet.blogspot.com e no blog que fiz para minhas alunas (ou alunos) www.nosnaideia.blogspot.com.
    Abraços!

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    1. Oi, Thata.
      Obrigado pelo comentário. Pode colocar, mas não deixe de colocar o link para a matéria original. É uma orientação do site CounterPunch, a quem pedi autorização para traduzir e publicar o texto.
      Vou visitar seus sites em breve, agora estou um pouco corrido.
      Abraços

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  5. Qual é a sua sugestão para pelo menos regulamentar a indústria pornografica? Eu acho q pornografia q simula estupro, zoofilia, pedofilia, tinha de ser proibida...e tem outra coisa: obrigatoriedade do uso da camisinha, isto já foi debatido na Caifórnia (houve até referendo para isso, ñ lembro qual foi o resultado). Além de proteger a saude dos atores e atrizes, ainda seria mais instrutivo: já ví muito jovem cabecinha de vento questionar a necessidade do uso da camisinha, pois "no pornô não usam"...

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    1. Olá, Anônimo da 01:01.
      Embora concorde com você eu não tenho uma sugestão a respeito porque é um debate no qual comecei a me envolver agora. Creio que será necessário uma grande rodada de discussões sobre esse tema em diversos níveis, inclusive jurídico. Se, por um lado, temos as questões relacionadas à segurança no trabalho - já que precisamos considerar que as pessoas que estão nesse mercado estão trabalhando - por outro aqueles que consomem esse produto (eu mesmo já consumi bastante, hoje não consumo mais) por 'n' razões - se válidas ou não é questão para outro post. Não estou tentando trazer soluções, mas entender como essa indústria afeta, principalmente, a relação com a mulher e sua objetificação na relação.
      Um abraço

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  6. "Eu escrevi uma carta de reclamação ao presidente da Universidade de Indiana salientando que o papel de uma sala de aula de uma universidade era educar os alunos, não fornecer uma plateia cativa para os capitalistas empurrarem seus produtos. O escritório do presidente respondeu de maneira muito esquisita. Eles pediram ao professor que se desculpasse comigo por convidar Joanna Angel, como se tudo isso fosse um insulto pessoal. Acho que devemos falar sobre a pornografia na sala de aula, mas não como uma indústria divertida que vende fantasias, mas como uma indústria global que trabalha como qualquer outra indústria, com planos de negócios, nichos de mercado, investidores e a necessidade cada vez maior de maximizar lucros."

    Exatamente, como qualquer outra indústria, e n demonizar como vcs e os fudamentalistas crstão fazem. Eu curto ver filme pornô, e vcs ñ estou preocupado com estes papo furado de vcs. Ao invés de impor limites, deveria lutar por mais revolução sexual.

    Vai fazer mais sexo q vc ganha mais.

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    1. Olá, anônimo da 01:12.
      Você é o meu primeiro troll, por isso vou te dar uma chance de repensar seu comentário. Em primeiro lugar, o que leva você a crer que eu sou um "fundamentalista cristão"? Alguma coisa no meu perfil te disse isso? Acho que não. Em segundo lugar, por que você acha que eu estou querendo demonizar a indústria pornô? Caso você não tenha percebido, o artigo é uma tradução de um texto publicado em um site dos EUA e que visa, entre outras coisas, o debate sobre a objetificação da mulher nesse tipo de produto e que tipo de mensagem esses filmes transmitem a quem os assiste. Em nenhum momento eu, pessoalmente, condeno o consumo de filmes pornô, pois eu seria um hipócrita, já que já assisti pornografia. O que está em causa é como o discurso do pornô influencia (ou não) a relação que as pessoas mantêm entre si. Se para alguns é só uma distração, uma forma de dar vazão às fantasias, para muitos outros pode passar a imagem de que tratar a mulher como depósito de esperma, cuspir, humilhar etc são as corretas. Se, na sua relação pessoal, isso for consentido, você e sua parceira estiverem de acordo com esse jogo, não há nada de errado. Mas alguém que não tem esse preparo, que não conhece outras formas de se manifestar afetiva e sexualmente na relação, pode achar que isso é o certo e acabar abusando de sua parceira.
      Pense nisso. E pense, principalmente, se isso acontecesse com alguém de quem você gosta (irmã, mãe, amiga etc).
      Desqualificar uma pessoa ou suas opiniões por não concordar com ela não acrescenta nada ao debate.
      Ah, e você é livre para NÃO LER os textos de pessoas ou sobre assuntos com os quais não concorda, OK?
      Abraços

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    2. Ñ disse q vc é um fundamentalista cristão, apenas disse q se a autora acha q a pornografia é "como uma indústria global que trabalha como qualquer outra indústria", então deve ser tratada como qqr outra indústria, e ñ demonizada. E vc pode ñ demonizar o pornô, mas a autora Gail Dines demoniza, até porque o nome da própria entidade da qual ela é membro já diz tudo: "Stop Porn Culture" (traduzindo: parar cultura pornô).

      Eu ñ sei os outros (e nem quero saber), mas pelo menos EU q curto filme pornô ñ exijo sexo pornô qdo vou transar com uma mulher. Tem os "cereburros" (como diria a Chiquinha, hehehe) q fazem isso, mas eu ñ. Mas a paranóia é tanta q vc parou de olhar pornô (ou segue olhando mas quer fingir). Eu ñ. Ñ estou nem aí pra conversa furada. Até porque é a minha única fantasia sexual os períodos de "seca"...

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    3. Olá.
      Entendo seu ponto de vista, mebora não concorde totalmente com ele. Como toda indústria, ela tem seus lados positivos e negativos. O negativo - e esse é o cerne da questão no artigo da Gail - é como a MULHER é retratada nesses filmes. O fato de você gostar ou não, de saber reconhecer ou não que aquilo é ficção (com uma ação real de sexo e de domínio), não anula a discussão sobre como essa indústria afeta as relações entre homem e mulher. Da mesma forma que a indústria de cerveja também coisifica a mulher, ou a farmacêutica/cosmética que dita padrões de beleza (e de comportamento) que não valem para 100% das pessoas. Apesar do artigo realmente se chamar Stop Porn Culture, o que está em jogo a parte "Culture" da indústria. Um cultura que abusa de estereótipos de dominação (não no sentido sado/maso, mas social, mesmo), que reforça ideias distorcidas de poder sobre o corpo alheio, entre tantas outras.
      Mas, como você coloca, você não prefere saber como isso afeta a vida dos outros, porque está na sua zona de conforto. Não sendo nada que interfira na sua estabilidade social/emocional/econômica, você não se sente na obrigação (e eu acho que talvez não tenha mesmo) de se envolver nesse debate. Ok.
      Para terminar, você não me conhece - acabou de travar contato comigo através de um texto que eu publiquei em um blog que não tem expressividade alguma porque não tenho sanhas de ser um grande escritor ou qualquer coisa do gênero. Entretanto fico espantado com a sua capacidade de fazer julgamentos sobre a minha pessoa ou de inferir que minhas reações/opiniões se devem a esse ou àquele fator. Por que você acha que eu aderi à "paranóia" contra o pornô? Por que você, em lugar de tirar conclusões precipitadas não me pergunta por que eu parei de consumir pornografia? Embora não seja da sua "calçada", posso dizer para você que hoje não consumo mais pornografia porque tenho uma relação prazerosa e sexualmente feliz. Ao contrário de você eu não tenho "períodos de seca". Porque o pornô, no meu caso, só servia para esses períodos, mesmo. Hoje não é mais necessário. Ainda assim, não vou deixar de pensar nessa indústria de maneira crítica, ainda que eu tenha me aproveitado dela e possa até mesmo vir a usá-la novamente no futuro caso eu volte a ter "períodos de seca". Não preciso "fingir", como você presunçosamente quer afirmar a meu respeito.
      Tanto não preciso fingir que você tem a vantagem de saber o meu nome e, talvez por isso, se ache no direito de me atacar quando poderia só estar argumentando em favor de seu ponto de vista, como eu respeitosamente estou fazendo aqui. Você preferiu manter-se no anonimato - o que respeito, até o ponto em que você também me respeite como pessoa e não queira insinuar verdades a meu respeito.
      Como não creio que essa conversa continue no rumo de uma conversa adulta, respeitosa e sadia, vou pedir, educadamente, que você não venha mais comentar qualquer coisa neste blog se não partir do princípio do respeito e da educação por mim e pelos meus parquíssimos leitores.
      Abraços

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    4. Flavio, agora eu vou falar com respeito.

      Desculpa, caro Flavio, mas eu tenho q estar bem informado e consciente politicamente, principalmente em questões que interferem na minha vida pessoal. Enquanto vcs continuarem apenas no terreno do debate, realmente isso não interfere na minha vida pessoal. Mas quando vcs irem para o campo legislativo e jurídico (e é o que tem acontecido ultimamente), tenho sim de me envolver no debate. Daqui a pouco vão querer proibir a pornografia, aí partem para o ataque legislativo e jurídico, aí já interfere na minha vida. Entendeu?

      E vc diz que "O negativo - e esse é o cerne da questão no artigo da Gail - é como a MULHER é retratada nesses filmes." Vc realmente ñ tem mais visto filmes pornográicos, pois o HOMEM também é tratado de forma submissa nos filmes. Já viu aueles filme em que o homem é pisoteado e sofre chicotadas das mulheres?

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    5. Então, você começou a pensar criticamente o poder da indústria. Se você não se sente confortável com a humilhação do homem em filmes de sado-masoquismo, imagine como é para a mulher, que já é comumente tratada com menos respeito. De novo, vamos falar da indústria: existem diversos tipos de material pornográfico à disposição, certo? Qual deles você consome (é uma pergunta retórica)? Você escolhe o que quer assistir de forma consciente e de acordo com as suas preferências sexuais. Você, espero, não consumiria pornografia envolvendo animais, por exemplo. Ou pedofilia.

      Ainda que haja um movimento para proibir pornografia - o que não acredito, de forma alguma, entre outras razões devido à força financeira dessa indústria - o que deve estar em discussão é a FORMA como o sexo, a mulher, a afetividade são retratados. E como essas representações afetam a formação dos garotos - que são quem mais consome esse tipo de material.

      Se queremos uma sociedade mais igualitária, solidária e que pressupõe respeito mútuo, precisamos estar atentos ao que oferecemos aos jovens, principalmente aos adolescentes, que são pessoas em formação, em termos de modelos de representação.

      Não por acaso, quando não tínhamos internet, a venda ou locação de material pornográfica estava restrita às locadoras e havia a rigidez da lei que só permitia o consumo desse material por maiores de 18 anos. Hoje a pornografia está extremamente acessível a qualquer hora do dia ou da noite, de graça, na rede mundial de computadores.

      Pense na indústria pornográfica como na do tabaco, ou de bebidas - todos nós sabemos que elas são prejudiciais e que, apesar de todos os avisos, da pressão jurídica sobre o consumo dessas mercadorias, nós continuamos tendo pessoas irresponsáveis, que se embriagam e dirigem, que se matam lentamente com o tabaco e assim por diante. Entretanto essas indústrias existem e vão bem, obrigado.

      Talvez você me diga que é um exagero comparar a indústria pornográfica com a de bebidas, mas os efeitos nocivos são os mesmos. Alguém que não tenha maturidade para entender, ao assistir um filme, que uma mulher (ou, na sua perspectiva, um homem) não é um objeto, nem deve estar sujeito a humilhações, submissão ou qualquer forma que o senso comum considere degradante e desrespeitoso, pode querer reproduzir esse comportamento fora da tela do computador, com resultados desastrosos.

      Pense, um garoto de 16, 17 anos, ainda sem experiência e maturidade sexual, assiste material em que a mulher é exibida como objeto de humilhação e dedicada ao prazer do homem, exclusivamente. Quando ele começa a se relacionar com garotas ele pode (ênfase no "pode") querer reproduzir o mesmo comportamento durante o sexo. A namoradinha se recusa a ser tratada de forma humilhante e o rejeita. Dependendo da intensidade dessa reação, ele pode se sentir insultado e humilhado e reagir com violência. Apesar de eu estar falando hipoteticamente, o notíciário está cheio de casos como esse, em que ex-maridos, namorados, casos, ficantes matam mulheres só por causa de um "não".

      O que eu digo aqui, e vou repetir para você não achar que sou veementemente contra pornografia, é que a chave para isso tudo é a consciência. Ser consumidor consciente de produtos que não sejam ofensivos, agressivos, degradantes de um, de outro ou dos dois gêneros. Porque há pornografia de boa qualidade. Então o que nos resta é escolher com cuidado.

      Obrigado pelos comentários e pela boa discussão.

      Abraços

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  7. Eu realmente escolho conscientemente o tipo de pornografia q assisto. Tenho nojo de pornografia q envolve zoofilia, estupro, pedofilia (este tipo eu nunca procurei) e aquela pornografia nojenta em q uma mulher urina e defeca na boca do homem ou vice-versa (nheca, q nojo, só de falar sobre isso já tenho vontade de vomitar). Mas curto muito a pornografia sadia, aquela em q o sexo é consentido e ñ tem nenhuma violência e nenhuma nojeira. É sobre esta pornografia sadia q eu me refiro e q pelo visto, o autor do texto tb é contra.

    E não é que eu ñ me sinta confortável com a humilhação do homem na indústria pornográfica, apenas te mostrei q ñ é só a mulher q é tratada de forma submissa e humilhante, o homem tb é.

    "Alguém que não tenha maturidade para entender, ao assistir um filme, que uma mulher (ou, na sua perspectiva, um homem) não é um objeto, nem deve estar sujeito a humilhações, submissão ou qualquer forma que o senso comum considere degradante e desrespeitoso, pode querer reproduzir esse comportamento fora da tela do computador, com resultados desastrosos." - Uma pessoa que não tenha maturidade para entender ao assistir um filme, vai assistir um filme de Faroeste, é capaz de reproduzir o que viu no filme fora da tela da TV (pois estes filmes são passados na TV), com resultados mais desastrosos. Então, se o q está em questão são os efeitos sociais gerados pelos filmes, pq ñ discutir antes os filmes de Faroeste? Afinal, seus efeitos sociais são muito mais danosos do q dos filme pornôs, pois instiga DIRETAMENTE A VIOLÊNCIA.

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  8. Infelizmente algumas pessoas estão tão desesperadamente voltadas à própria punhetagem (como se alguém a estivesse ameaçando...), que não logram enxergar além da sua questão (punheta) individual, e deliberam ignorar a questão coletiva colocada, esmiuçada, pacientemente explicada neste post/comentários.

    Chegaria ao nível do risível - se não gerasse trágicas consequências - os pseudo argumentos apresentados:
    - homens também são objeto de humilhação na pornografia.
    Ora, é evidente que na indústria pornográfica homens humilhados constituem ínfima exceção, exato oposto da situação das mulheres nestes empreendimentos.

    Interessante, caso se tratasse de produções industriais colocando sistematicamente pessoas negras sendo humilhadas, violentadas, degradadas, por pessoas brancas, o racismo seria reconhecido imediatamente.

    Mas algumas pessoas internalizaram a imagem da mulher como objeto de violência sexual de tal forma, que tomam essas produções misóginas, extremamente preconceituosas, com "naturalidade".
    Isso tem a ver, evidentemente, com a falta de discussão (e prática, é claro) sobre SEXO em nossa sociedade. Tal falta chega ao ponto de acharem que sexo É pornografia, violência, estupro, e que pornografia é "liberdade" sexual (para quem, cara pálida?).

    Daí o equívoco de se comparar violência em geral, na tv, com a violência sexual produzida e sistematicamente reiterada pela indústria pornográfica.
    Ora, a violência "em geral" é amplamente discutida e rediscutida na sociedade (independentemente da qualidade desta discussão), algo inteiramente diverso da violência sexual na pornografia.
    Ponto basal a se considerar, ademais, é a absoluta hipocrisia com que a sociedade lida com o estuprador, julgando-o não pelo ato, mas por sua posição social (vide http://bulevoador.com.br/2012/01/32447/), bem como a conversão da vítima em culpada pelo estupro.

    Se a intenção é compreender os fenômenos sociais (ao invés de se apegar à defesa incondicional da indústria que se imagina necessária para a própria punheta), tal compreensão não é alcançada, sequer no nível mais primário, através de um paralelo simplista que apaga as características próprias dos fenômenos em questão.

    Tão interessante quanto as tentativas capengas e auto-centradas de argumentação é o fato dos defensores da pornografia misógina não haverem se pronunciado sobre a CENSURA absurda, relatada por Dines, inimaginável dentro de uma democracia fundada nos direitos humanos, da liberdade de pensamento, de pesquisa científica, de posicionamento político.

    A pornografia misógina constitui hoje a única "educação" sexual dos meninos pré-adolescentes/adolescentes, fato que traz consequências desastrosas para a vivência da sexualidade, considerando que a sexualidade das meninas é reprimida pela família e pela sociedade (e conformada como submissa pela mídia). É cada vez mais difícil cegar, a si e a outros, para esta questão SOCIAL fundamental.

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    1. "Infelizmente algumas pessoas estão tão desesperadamente voltadas à própria punhetagem (como se alguém a estivesse ameaçando...), que não logram enxergar além da sua questão (punheta) individual, e deliberam ignorar a questão coletiva colocada, esmiuçada, pacientemente explicada neste post/comentários."
      - Claro q se estão discutindo e se pretendem levar isso pro campo legislativo e judiciário (o q tem acontecido nas últimas décadas), estão sim ameaçando a minha liberdade individual.
      E mulheres se importam com coisas além da sua questão? Pense nisso.

      "Ora, é evidente que na indústria pornográfica homens humilhados constituem ínfima exceção, exato oposto da situação das mulheres nestes empreendimentos."
      - Tu nem vê filme pornô e vem opinar o q ñ sabe. É o mesmo q um virgem opinar sobre sexo. Ñ são "ínfima minoria", há muitos e muitos filmes representando o homem de forma submissa e humilhante.

      "Daí o equívoco de se comparar violência em geral, na tv, com a violência sexual produzida e sistematicamente reiterada pela indústria pornográfica.
      Ora, a violência "em geral" é amplamente discutida e rediscutida na sociedade (independentemente da qualidade desta discussão), algo inteiramente diverso da violência sexual na pornografia."
      - Inteiramente diverso, mesmo. O pornô ñ é passado na TV aberta, e filmes de violência explícita com cenas de bang-bang, é passado em todos os canais TV aberta e produz efeitos sociais muito mais graves.

      "Isso tem a ver, evidentemente, com a falta de discussão (e prática, é claro) sobre SEXO em nossa sociedade. Tal falta chega ao ponto de acharem que sexo É pornografia, violência, estupro, e que pornografia é "liberdade" sexual (para quem, cara pálida?)."
      - Discussão sobre sexo tem muito, mas PRÁTICA, sou obrigado a dar razao pra vc: as pessoas mais falam e discutem sobre sexo, e assistem os outros fazendo sexo (neste caso o pornô) do q praticam. Acho q este é o pior efeito social do pornô. Ñ estes q vc citou.

      "Tão interessante quanto as tentativas capengas e auto-centradas de argumentação é o fato dos defensores da pornografia misógina não haverem se pronunciado sobre a CENSURA absurda, relatada por Dines, inimaginável dentro de uma democracia fundada nos direitos humanos, da liberdade de pensamento, de pesquisa científica, de posicionamento político."
      - E o tal do Dines ñ esconde suas pretensões autoritárias de CENSURAR o pornô. Na verdade, ela quer impor a SUA CENSURA.

      E onde estao as pobres "meninas" com a "sexualidade reprimida"? Saia detrás desta tela e volte pra vida real.

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    2. - Mais que pensado, Anônimo: e seus direitos individuais acabam onde começam os direitos coletivos das mulheres. Pense nisso.

      - "Tu nem vê filme pornô". Clássica tentativa de desqualificação: óbvio que não sou punheteira de pornô como você, mas meu conhecimento da estrutura macro e dos elementos representativos da indústria pornô certamente superam a sua vivência enquanto punheteiro.

      - Volto ao mesmo ponto: violência "em geral" é exaustivamente discutida. Discordo: a violência sexual combinada à produção industrial de representações imagéticas de uma sexualidade extremamente misógina e violenta traz consequências infinitamente piores em termos de violência de gênero (é claro que você não sabe, já assumiu não estar nem aí, então vamos lá, a reação contra a violência de gênero - e a reivindicação por democratização da mídia - vêm em boa hora.

      - Você estão confundindo brincadeirinhas, piadinhas, tabus mal dissimulados e informações retóricas sobre sexualidade com DISCUSSÃO SOBRE SEXO - que NÃO EXISTE de forma SÉRIA em nossa sociedade. A não ser que você acredite na Rede Globo ou TV Bandeirantes ou afins... Aí não tem jeito mesmo.

      - Anônimo, você fugiu da discussão: nada falou sobre o fato relatado no artigo, somente se concentrou no "terror", na grande ameaça de Dines de acabar com sua punheta - sério, a questão é MUITO, mas MUITO maior que isso.

      - "Saia detrás desta tela". Essa foi hilária hein Anônimo. Primeiro você não se identifica, e eu sim. Segundo, quem diz passar bastante tempo nas telas aí é você. Sobre mim, você não tem ideia do que faço da minha vida com tela ou sem tela, e se é inteligente, não fará pressuposições ingênuas.

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  9. Cara, eu li o artigo só porque você postou no blog da Lola, porque Gail Dines não me desce. É que nem a Sheila Jeffreys ou a Melissa Farley. As pesquisas delas são feitas com um objetivo específico e têm uma caralhada de problemas metodológicos. Pra mim são pseudociência, como a maior parte da psicologia evolutiva.
    Note como, no artigo, ela coloca juízos de valor como absolutos. "Ser sufocada por pênis" ou ser "coberta de esperma" é uma prática prazerosa para algumas pessoas. Mas, na visão dela, representações disso são inerentemente danosas. É uma visão que coloniza e oprime as mulheres (e homens) que podem gostar disso, porque está essencialmente errado. (Já tinha ouvido falar de slut-shaming feminista? Pois é, ele existe). Sem falar que a maioria do discurso dessa corrente do feminismo anti-pornografia é eminentemente político e pouco empírico. É evidência anedotal. A crítica à pornografia deve ser feita, mas com base na exploração das pessoas na indústria. Tente transferir essa crítica que ela faz para algo que as pessoas mais esclarecidas estão começando a achar aceitável hoje, o BDSM. As pessoas apanham, são humilhadas, etc, etc. Ou sexo oral, no qual um parceiro está submisso ao prazer genital do outro e não é "mútuo". Não é degradante para "todo mundo"? A Gail Dines faz uma crítica guarda-chuva, que poderia servir desde a pornografia até o sexo heterossexual (como foi feito na onda do "lesbianismo político" da segunda onda do feminismo), pois se baseia em conceitos vagos como "degradante" e "humilhante". O que é degradante para mim pode ser prazeroso para você, ou como já dizia o velho adágio "O que me excita é erótico, o que te excita é pornográfico".

    Há um depoimento de uma moça que achava mais degradante ser camareira de hotel do que prostituta. A marcha pelos direitos das prostitutas no Camboja (voce acha que é só "prostituta de luxo" e seus cafetões que querem a descriminalização?) tinha uma faixa que dizia "Não queremos máquinas de costura, queremos direitos trabalhistas". As pessoas envolvidas têm o direito de se pronunciar para pessoas como Dines? Só se falarem contra a indústria. Se falarem algo positivo, elas são "non-representative" ou "cooptadas pelo sistema", fizeram "lavagem cerebral" nelas e por isso elas precisam ser "salvas". Honestamente, se retirar o poder de agência de determinadas pessoas e dizer que elas só farão uma "escolha livre" se for a escolha que eu acho certa é feminismo, pare o mundo que eu quero descer.

    Olha que legal esse povo "resgatando" as pobres coitadas das mulheres: Uma ativista do Coletivo Ingles de prostitutas disse "Nós vivemos com medo de batidas e 'resgates". Aqui: http://freethoughtblogs.com/greta/2012/04/26/guest-post-from-sarah-van-brussel/

    Existem alguns referenciais mais balanceados ao falar de pornografia, prostituição, etc.:

    http://feministire.wordpress.com/

    http://plato.stanford.edu/entries/feminist-sex-markets/

    http://web.mit.edu/sgrp/2008/no2/EatonSAPF.pdf

    (E por balanceados, eu quero dizer honestos e dispostos a mudar de idéia, diferentes dos pornógrafos misóginos e seus detratores, ambos entrincheirados defendendo seu ganha pão, seja ele vender sexo ou vender críticas de quem o faz com base em um modelo universal)

    Soluções? O kink.com tem uma política legal quanto ao trabalho que eles desenvolvem. Assinam contrato e tudo. Dá uma olhada nas condições de trabalho, nos direitos dos atores e atrizes e deveres dos diretores do site aqui: http://www.kink.com/k/values.jsp

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    1. Yuri, obrigado por vir comentar no blog.
      Para ser muito honesto com você, não tenho uma posição totalmente fechada em relação à pornografia. Vejo argumentos válidos de diversos lados, de variadas pessoas, como você, e esses argumentos me fazem pensar.
      Até o post sobre BDSM no blog da Lola eu nunca tinha parado para pensar seriamente sobre pornografia. Algumas das coisas que passam pela minha cabeça em relação a esse assunto estão em algumas das respostas que dei ao Anônimo aí em cima.
      Embora eu compreenda seu ponto de vista em relação ao trabalho das pessoas nessa indústria, acho que o foco do artigo e, de certa forma, da minha própria visão sobre isso é a influência que isso causa sobre pessoas (adolescentes) que não têm maturidade emocional para compreender ou para decifrar as muitas mensagens que um produto como a pornografia pode oferecer. Olhando para o pornô como produto, da mesma forma que a publicidade nos leva a pensar sobre papéis pré-estabelecidos para homens e mulheres, também a pornografia faz isso. Não tenho condições de me estender muito sobre isso agora (cheguei tarde do trabalho e preciso dormir), mas pretendo voltar a isso depois.
      De qualquer forma, agradeço pelos links que você indicou. Vou lê-los com calma.
      Um abraço.

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    2. Pois é, Flávio. A questão da educação é importante.
      Agora, falando do artigo da Dines de novo, o que ela faz é pegar inocentes úteis. Na década de 80 de 90 eram as atrizes pornô e prostitutas. Quando estas começaram a se pronunciar e dizer que não eram representadas por ela, ela mudou o foco e agora quer proteger as "crianças", que, por definição, não podem se pronunciar.

      Agora, quanto à educação, eu acho que a solução é produzir pornografia melhor, sabe? Criar espaços mais tolerantes e com menos julgamentos sobre o sexo, com foco na consensualidade e na vontade dos indivíduos no ato. O kink.com que eu indiquei tem uma politica de mostrar conversas entre os atores, um making of das cenas, para deixar claro que aquilo (é um site BDSM) é uma expressão da sexualidade restrita a um espaço, e que as pessoas ali se respeitam e têm consideração pelo outro. O problema de adolescentes (e adultos, diga-se de passagem) verem esse tipo de imagem é a ausência de outros referenciais. O que fazemos? Destruimos esses referenciais (como a Dines quer) ou criamos referenciais melhores? Não acho possível conter o fluxo da informação. Mesmo no blog da Lola haviam algumas pessoas (supostamente) menores de 18 comentando no post de BDSM. Acho que o melhor que pode ser feito é produzir referenciais baseados no respeito mútuo.
      Agora imagina um mundo perfeito onde o "International Guidelines on Sexuality Education" da ONU é aplicado nas escolas: http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001832/183281e.pdf . Um mundo onde conhecer o próprio corpo e fazer o que você bem entender com ele, sexualmente ou não, sem tantas restrições, seja possível. Um lugar onde isso aqui é mais amplamente aceito: http://www.eroticmassage.com/
      www.orgasmicyoga.com . Será que haveria essa busca frenética por pornografia cada vez mais violenta que temos hoje? Será que adolescentes usariam a internet e a pornografia misógina como único referencial? Acredito que não.
      Abraços

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    3. Yuri
      Mais uma vez, obrigado pelo comentário. Infelizmente não vou poder responder com a calma e a tranquilidade que eu queria (e tenho bastante para comentar), porque estou em processo de mudança de residência - essas coisas meio triviais que a gente faz quando não está escrevendo um blog para dois leitores (rs). Prometo retornar a isso, mas vai levar um tempo. Por favor, não tome como descaso, nem deixe de comentar mais, se você tiver vontade.
      Não sei se vale a pena comentar muito aqui, porque não tenho audiência. Na verdade o blog nem surgiu com essa pretensão de ter uma audiência, foi mais como uma possibilidade de exercitar uma escrita opinativa que, no fim das contas, foi meio que deixada de lado com a faculdade e o trabalho.
      Assim que eu puder, volto a conversar sobre isso, porque fiquei muito interessado nos links que você mandou e acho que, de alguma forma, tirando uma tendência minha meio forte ao conservadorismo, temos pontos de vista em comum.
      Abraços

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    4. Sem dúvida não considero um descaso, Flávio. O mundo real urge e não podemos ficar em blogs o tempo todo.
      Mas eu converso sobre esses assuntos mais para desenvolvimento pessoal do que necessariamente visibilidade. Vale mais uma pessoa disposta a dialogar do que centenas de trolls.
      Abraços.

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    5. Yuri, você age de modo semelhante ao que critica em Dines.

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  10. "Eu tinha um arsenal de teimosias estúpidas quando eu entrei [na pornografia]. Eu era contra mais de um pau numa cena, e contra ejaculações faciais, e contra degradação e coisas que me disseram que eram degradantes. Desde então eu decidi que a coisa mais degradante de todas é que um estranho me diga que eles tem uma idéia melhor de quanto estou sendo degradada do que eu mesma."
    Kayden Kross.

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  11. Flávio, eu só q se o problema são os adolescentes imaturos sem maturidade para entender, ao assistir um filme, então o centro do debate não deveria ser pornô, teria de ser os filmes de bang-bang que são passadas na TV aberta às 3h da tarde, que qualquer criança assiste.

    E citaram uma questão que eu concordo: discussão, conversas sobre sexo e ver outros transar é o que mais ocorre atualmente, mas a PŔATICA....e acho que este é um dos piores efeitos de um filme pornô: viciar as pessoas (eu gosto de ver, mas não me vicio).

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Ah, só um comentário sobre o feminismo da Dines e outras associadas:
    http://www.smbc-comics.com/index.php?db=comics&id=2352#comic

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  13. Flávio, lembrei da nossa discussão nesse post aqui:

    "E sobre vaginas ou pênis? Adolescentes têm essas coisas e, presume-se, não ficam particularmente traumatizados ao vê-los. É a inserção do pênis na vagina que causa o dano, ou é o amor e o cuidado com que a inserção ocorre? E quanto a sexualização na sociedade em geral - as crianças são traumatizadas por uma imagem de uma modelo glamourizada mostrando seu decote, ou são prejudicadas pela falta de diversidade de imagens, em uma mídia que bombardeia incansavelmente jovens com uma idéia particular do que uma mulher deve crescer e se tornar?"
    http://www.guardian.co.uk/science/the-lay-scientist/2012/apr/30/porn-panic-daily-mail

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  14. Me recordo de quando estava no colegial, em uma escola particular com certo nome na grande SP, e tive que fazer um trabalho em grupo de duração de ano inteiro sobre internet, com temas aleatórios escolhidos pelo professor para cada grupo. O "prêmio" (como se isso fosse grande coisa) era colocar no site da escola o trabalho de ano todo dos 3 grupos com a maior nota.

    Meu grupo teve o tema comércio eletrônico, e com a ajuda de meus dois amigos na época (um deles bem nerd, eu de "homem-pesquisa" e o outro já na época era fera em design gráfico), conseguimos a segunda maior nota da sala, perdendo só pro grupo de meninas patricinhas que fez um tremendo site sobre moda e o terceiro lugar foi a página de games de um outro grupo.

    Aí pediram pra gente também fazer uma página especial - dentro do tema do trabalho - para o site, e eu e meus amigos fizemos uma tremenda análise com linha do tempo de como a pornografia ajudou a transformar as transações financeiras na internet, como a programação pra cobrança via cartão de crédito - mas só informativo, sem nenhuma imagem ou referência que houvesse necessidade de censura. O mais nerd ficou meio relutante com o tema, ele já era bem religioso e inclusive casou virgem depois, mas o outro adorou a idéia.

    Pra nossa surpresa, quando entramos no site da escola no final de semana após entregarmos a página especial, haviam 3 trabalhos mas apenas dois com a matéria especial: o de moda e o de games. E sem página especial, publicaram o que foi a quarta maior nota, o trabalho do grupo que falou sobre programação em ASP e PHP.

    Mas paciência, eu e o rapaz voltado pra design no fundo ficamos orgulhosos de ter exposto a censura que a escola fazia, além de ter deixado nosso amigo nerd religioso feliz por não ter seu nome associado a nada de pornografia...

    12 anos depois e a história se repete de modo bem parecido, mas bem longe da grande SP, na tal Appalachian State University.

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  15. Esses anônimos são "engraçados". Acho que vou brincar de anonimato também. Ah não.

    Perderam pras "patricinhas"... Estereótipo preconceituoso estampado nesse discursinho. Logo o grupo que tinha o "nerd"... E falava sobre coisas "mais importantes" rsrs.
    O auto-entitlement fica nojentamente evidente. Palavra "de homem" vale mais, "conhecimento produzido por homem" vale mais.
    Prepare-se, as coisas estão mudando.

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  16. Voltando ao artigo, seria muito mais proveitoso citar o "gang bang" - ao invés do "bang bang" -, a misoginia, além do poder da indústria capitalista e da censura dentro do ambiente que mais deveria se empenhar na crítica (Universidades).

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