11 de out de 2014

Minha desorganizada biblioteca e meus confusos pensamentos


Novo semestre e eu começo a busca pelos vários livros e referências de que irei precisar. É surpreendente que eu não consiga ter uma exata noção do que possuo. Meus livros, como minhas ideias, estão espalhados em estantes, sem qualquer tipo de ordenamento. Vivo dizendo a mim mesmo que irei arrumá-los, cataloga-los, porque, afinal, não faz sentido comprar um livro duas vezes porque esquecemos que o possuímos, embora isso seja uma constante em minha vida e alguns amigos já se beneficiaram dessa minha fraqueza, alguns mais de uma vez.
Minhas ideias também se ressentem de organização. Meus pensamentos vivem dispersos em um universo interno que, apesar de parecer bastante caótico, mantem-se miraculosamente íntegro, ainda que espalhados. Assim, a desorganização é espacial, fazendo com que eu em minha atávica preguiça deixe de concatenar ideias para os meus textos pelo simples fato de que seria muito cansativo buscar na mente todos os pensamentos necessários à execução do ato de escrever. Penso que o espaço da mente deveria ser bem restrito, assim, bem pequeno, para que fosse possível concentrar em um só lugar tudo aquilo de que necessitamos para o dia-a-dia intelectual.


Voltando aos livros, vivo sendo gratamente surpreendido por (re)descobrir que possuo títulos que, tivesse eu a necessária disciplina para lê-los nos momentos-chave da minha vida acadêmica, teriam sido extremamente úteis e contribuído para uma inestimável valorização dos meus trabalhos para a faculdade. Normalmente só me lembro deles quando estou buscando outros, para outras matérias e, invariavelmente, quando já não me são mais imediatamente úteis...
Caso eu tivesse lido diligentemente todos os livros importantes e interessantes que ocupam lugares diversos nas minhas estantes, eu já teria não só terminado a faculdade, mas o teria feito com louvor e apreciação elevada de meus conhecimentos. Nessa hora me parece oportuna a justificativa de que a minha falta de orgulho ou necessidade de manter a vaidade em xeque não me permitiu levar esse projeto a cabo e que minha desorganização, mental e bibliográfica, é um mecanismo para me manter com os dois pés no chão e me lembrar constantemente da posição de humildade a que devo me submeter, pois a ascensão intelectual poderia ter efeito extremamente deletério sobre a minha condição humana.
Já vi tantas vezes pobres mortais confundirem ascese com arrogância, profundidade de conhecimento com necessidade de soberba, com a vaidade tão extremada que se colocam na posição (frágil e passageira) de serem "melhores que os outros". Não quero essa condição. Tenho medo desse lugar em que o conhecimento se torna arma, em que a excessiva autoconfiança se torna autocondescendência e oblitera invariavelmente a nossa capacidade de enxergar o outro. Infelizmente, parece-me ser bastante fácil cair nessa armadilha.