27 de dez de 2011

Diário da segunda viagem - post número 0

Pois é. A viagem já começou, já estou aqui há três dias e ainda não fiz nenhum post. Desculpem-me. Até escrevi o rascunho do post que deveria ser o número 1, mas ficou longo, chato e eu estava terrivelmente sonolento quando o fiz ontem à noite.

Fiz pouquíssimas fotos e ainda não fiz muito do que gostaria de ter feito, mas isso e assunto para outra hora. Um resumo dos últimos três dias para não ficar muito sem graça:

A viagem com a Singapore Airlines foi ótima, a tripulação é toda do país de origem e as comissárias usam um belíssimo e elegante uniforme com estampas coloridas de sua terra. A comida é excelente para os padrões de uma classe econômica de vôo internacional e o avião é um 777-300ER bem novinho, com uma seleção de distrações vasta, para todos os gostos - vale ressaltar as opções de filmes chineses, japoneses, indianos e de outras nacionalidades cujo cinema não é divulgado nas bandas de cá.

O vôo chegou com uma hora de antecedência no incrivelmente bonito aeroporto de Bracelona: um festival de vidro que deixa tudo extremamente banhado em luz natural. O dia estava lindo e a temperatura agradável (13 graus). A imigração foi tranquilíssima e os agentes extremamente simpáticos - mesmo trabalhando no domingo de Natal. As malas chegaram sem problemas, o transfer estava lá como programado e o hotel perto do aeroporto é muito bom, com pessoas muito atenciosas e travesseiros que fazem qualquer um querer dormir até tarde.

A viagem para Londres também foi tranquila no Airbus A320 da British Airways com poltronas de couro e, tive a impressão, ligeiramente mais largas do que o habitual. Comissários (só uma mulher) eficientes e atenciosos, como se espera. Como chegamos ao aeroporto muito cedo, tomamos um café da manhã reforçado na lanchonete e acabamos dispensando o do avião. O tempo em Londres também estava ótimo, com a mesma temperatura de Barcelona, embora nublado. O metrô estava em greve e isso atrapalhou um pouco a nossa chegada, já que tivemos que pegar um ônibus até a estação de Paddington. O táxi do aeroporto até o centro ficsaria em 80 libras, o que é um rombo em um orçamento apertado. Acabamos pegando um de Paddington até o hotel e, de fato, é um veículo realmente interessante e espaçoso - depois dou mais detalhes.

O primeiro dia em Londres foi cansativo e pouco produtivo, o que prejudicou um pouco nossa apreciação do concerto de música barroca na St. Martin-in-the-Fields. Ainda assim, foi gratificante e eu fiquei muito emocionado por estar realizando um dos meus sonhos, que era assistir um concerto ali. Na segunda parte, a "'Aria sobre a corda Sol", de Bach, foi outra experiência maravilhosa e emocionante - de chorar mesmo, e eu não me fiz de rogado e deixei cair todas as lágrimas a que tinha direito.

Fizemos algumas fotos em Trafalgar Square à noite (aliás, informo que no inverno o sol se põe às 4h30 por aqui) e depois voltamos para casa. A segunda pele segura bem o frio, mas quase morro mesmo de calor, porque minha jaqueta dublinense é um forno! Corta o vento e aquece muito, ainda mais em caminhada. Conclusão: tenho usado somente a calça da segunda pele. E entre caminhadas e paradas é um tal de põe e tira roupa que quase dá vontade de ficar pelado de uma vez. Todos os estabelecimentos são aquecidos, mas a uma temperatura que parece querer assar quem entra. Quando a gente sai o frio acaba sendo uma bênção. Por enquanto nada de neve ou baixas temperatura e os londrinos estão felicíssimos com o "veranico" deles.

A chuva não deu as caras, mas parece que vai pintar na quinta-feira, que é o dia da exposição do Da Vinci e do concerto da Nona de Beethoven no Barbican. Hoje foi um dia de compras - para meu desespero. Presentes para os amigos que vou visitar na França e na Itália, um novo par de botas - descobri da pior maneira possível que o que eu trouxe iria me recordar o que é uma fascite plantar caso eu insistisse em usá-lo e mais uns mimos aqui e ali antes de voltar para casa.

Minha vontade é quase mandar tudo às favas e ficar aqui mesmo, pelo tanto que me identifico com esta cidade. Mesmo ela estando sempre cheia de turistas - nem o frio os espanta. Quase todas as lojas estão com descontos de até 70 por cento, o que torna a caminhada pela Oxford Street depois das quatro uma aventura digna de 25 de março em véspera de Natal. Ainda bem que isso ficou para trás...

Amanhã temos Abadia de Westminster, Palácio de Buckingham, Parlamento, Big Ben, London Eye, Globe Theatre, Southark Cathedral, London Bridge, St. Paul`s Cathedral, e terminamos o dia na Tate Britain.

Agora vou baixar o iTunes e copiar para o meu iPod Classic o "Pássaro de Fogo" regido pelo próprio Stravinsky, uma inspirada seleção de obras do Vivaldi e todoo os 16 CDs da caixinha com a obra completa de Mahler interpretadas por grandes nomes. Tenho um noite longa pela frente...

Beijos a todos.