2 de ago de 2010

Diário de Viagem 1

OK. Eu prometi a alguns amigos que faria um diário desta viagem de férias. Agora que melhorei da dor de cabeça escorchante que eu estava sentindo, depois de ter tomado uma banho em uma ducha muito boa, acho que tenho condições de digitar algumas linhas antes de cair nos braços de Morfeu.

Bem, a viagem em si foi como toda viagem de avião para destinos muito longe: cansativa até. O check-in da TAM é sempre uma aventura, mas due tudo certo (sempre vale a pena chegar cedo no aeroporto!). Apesar da fila, tudo andou rápido. Só meu plano de “back up” não funcionou muito bem: a mala de mão que eu pretendia levar comigo na cabine ficou muito pesada, e eu tive que despachar junto com a mala grande (que estava pesando só 12 quilos - inacreditável!).

Fiquei apreensivo com a possibilities de ter duas malas extravagates, por isso, enquanto ainda podia, fiz minhas preces acrescentando a tudo o mais que eu havia pedido para essa viagem o desejo de que as duas malas chegassem junto comigo ao meu destino.

Uma viagem longa (11 horas), voando em classe econômica não é um sofrimento a ser desprezado. Cheguei a Londres moído. A sorte foi ter tomado o Miosan - como me dá sono, pude dormir durante bastante tempo - do pior jeito possível. Ainda bem que eu havia escolhido meu assento com muita antecedêndia e, por sorte, o 777-300 em que viajei tem uma configuração estranha no fim da aeronave: no mapa o meu assento era sozinho, mas na real eram dois - e eu escolhi a janela. A confirguração padrão é um assustador arranjo 3-4-3. Bom, comida de avião, blá, blá, blá; banheiro de avião, idem, descida em Heatrhow com a micagem do aplauso para o pouso de uma trupe de jogadores juvenis de futebol que estava indo para um campeonato em Manchester. A micagem foi seguida por alguns passageiros - eu fiquei na minha, porque além de achar meio boboca aplaudir um pouso, este não foi nem tão impressionante assim (aliás, achei meio pesadão). Bobagem.

Saio do avião e percebo que algo está diferente em relação à última vem em que estive aqui: estamos em outro terminal e não pegamos mais as bagagens antes de passar pela imigração - e esta foi beeeeem longa. Pousamos no horário previsto (15h00), mas até passar pelos oficiais da imigração já eram quatro da tarde. Dei sorte de pegar uma mudança de turno e o oficial que iria me atender foi substituído por uma bela e simpática morena. Dei só o passaporte, esperando pelas perguntas. Acho que passo por um viajante honesto, pois ela só me perguntou por quanto tempo eu ficaria em Londres, qual o motivo de minha visita e onde eu havia aprendido inglês (imagina o orgulho!) Bem, tá certo que cheguei no guichê com o meu melhor sorriso (que não foi falso, pois estava feliz de estar aqui) e isso, mais um inglês caprichado no "posh"accent (como o bosta do meu professor da USP caracterizou minha pronúncia - inglês metido), ajudaram-me a passar incólume pela etapa dois (imigração).



A etapa três foi sofrida: pegar a bagagem. Já se sentiu com o c... na mão com medo de ter perdido algo extremamente importante? Pois é, no meu não passava nem pensamento filtrado, de tão preocupado que estava se minhas malas haviam chegado. Heatrhow ficou confuso depois da reforma - e logo de cara não foi tão fácil descobrir em que esteira estavam as malas do vôo 8084. Mas logo uma tela de LCD apareceu na minha frente com a informação. O duro é que a esteira 1 é a única que fica no lado oposto de todas as outras esteiras! A gente quase acha que ela não existe de fato.

Peguei as malas e comecei a sentir que a dor de cabeça que começara a se formar por causa da falta de cafeína iria me dar trabalho. Comprei o bilhete do metrô (4,50 libras para ir do principal aeroporto internacional da Inglaterra ao centro de sua capital (uns 50 minutos de trajeto)! Um aumento de 50 centavos de libra em relação a 2008, quando aqui estive pela primeira vez - cinquenta centavos em dois anos! Quem não somnha com algo assim em Guarulhos?

Peguei o metrô e, por sorte, o hotel fica numa estação que pertence à mesma linha que serve o aeroporto (a linha chama-se Picadilly). 55 minutos de viagem e chego a Russel Square, que é onde ficam: a University College London, onde vou fazer o curso de fonética, a alojamento da faculdade e o hotel onde vou passar as primeiras duas noites. Aliás, chamar isso aqui de hotel é um elogio não-merecido. O hotel é horroroso! Velho, feio, só tem wi-fi no lobby e não tem quartos com chuveiro e privada (eu já sabia disso, mas pela localização e por duas noites, pelo preço que paguei pelas duas diárias, vale a pena). O colchão vai me fazer sentir muitas saudades do RPG. É daqueles em que se uma pessoa sentar numa ponta e outra sentar em seguida na outra, a primeira é arremessada para o chão. Conto com o cansaço para me fazer apagar.

Bom, a localização, como disse, compensa. Russel Square é uma região ótima e eu estou a dois minutos da British Library (aqui numa foto que tirei de entro do restaurante onde comi uma pizza bem ruim para um restaurante metido a italiano) e a cinco minutos da estação de trem St Pancra`s, de onde parte o Eurostar com destino a Paris (que eu vou pegar na terça-feira!).



Quase do lado do hotel, na esquina da rua, fica a St. Pancra`s Parish Church, uma igreja anglicana cujas fundações remontam ao século XI, mas que passou por muitas reformas (as duas maiores no século XIX e na década de cinquenta do XX). A entrada da igreja é inspirada no Erectéiom de Atenas, com colunas gregas que não combinam nem um pouco com a igreja. As laterais externas da nave têm quatro esculturas de mulheres ao estilo grego no lugar das colunas (ver a foto abaixo). Por dentro ela é extremamente austera - tenho a impressão de que as igrejas anglicanas antigas tendem a ser assim. Peguei o serviço das seis horas começado e, como ao entrar recebi um hinário e um "programa"do sermão da hora, resolvi me sentar. O padre falou de Cristo andando sobre as águas e de como as pessoas pensam sempre no poder da imagem de Jesus realizando o milagre, mas não no quanto essa metáfora representa a vitória sobre as vicissitudes quando se tem fé. Uma pena que o sermão foi dado a oito ou dez pessoas, contando comigo, em um serviço das 18h00 de domingo.



Na saída, o padre cumprimenta um por um e dá uma pequena bênção. Mal não faz, não é mesmo? Não resisti e puxei assunto com uma senhora que saiu na minha frente. Ela foi extremamente gentil quando perguntei se ela era frequentadora - mora em Leeds, na região de York e, quando vai a Londres, antes de pegar o trem, sempre que pode, vai ali. Comentei que a igreja estava muito vazia e ela concordou comigo que era uma coisa triste. Porque é uma pena, ao meu ver, que as pessoas percam sua relação com a fé (sei que a própria igreja e sua conduta devem ter milhões de culpas por isso, mas não julgar a igreja aqui). Até porque isso rendeu uma conversa agradável, ainda que rápida. Quando disse que eu era do Brasil ela me contou que a filha mais velha dela já veio ao Brasil duas vezes a trabalho para uma ONG em Recife. Coincidência? Duvido. Enfim, ela me mostrou o caminho até St. Pancra`s (eu queria cronometrar o tempo para saber a que horas eu precisaria sair do hotel na terça para o check-in no Eurostar), me mostrou a British Library e me desejou muitas felicidades nas minhas férias na cidade. Um bom começo.

Comi uma pizza na pizzaria em frente à BL (de onde tirei a foto lá de cima), voltei para o hotel, desfiz uma parte das malas, desci ao lobby, me conectei à internet, dei notícias aos amigos e à família, fui ao mercado, comprei uma escova de dentes, pasta e um sabonete (pois o do hotel é daqueles minúsculos que só duram um banho) e liguei para minha amiga Julie para pedir a ela para deixar minha mala grade na casa dela amanhã. Voltei, tomei uma ducha forte e quente (isso é uma coisa muito boa do hotel), de Havaianas - melhor garantir - e vim para o quarto (onde não tem wi-fi). Portanto, este será um post publicado tardiamente.

Desculpem-me se me estendi demais no relato com poucos fatos e fotos, mas assim foi a minha proimeira tarde em Londres: sem sobressaltos nem nada muito especial para contar. Amanhã posto fotos de onde estou.

Até lá.

Um comentário:

  1. Adorei ter notícias suas, mesmo que com a tradicional ranzinzice do Flávio! Aproveite cada minuto! Vc merece!
    Alê Félix

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