27 de abr. de 2011

Sobre a necessidade de ser forte

Quanto mais eu penso (e constato) as falhas recorrentes do caráter humano, mais me convenço de que a humanidade, se de fato viesse o fim do mundo em 2012, seria a melhor candidata ao extermínio.


Há um predileção humana pela calhordice, pela cafagestagem, pela desonestidade e mesquinhez praticada diuturnamente que me abate e me consome, aos poucos. Eu preciso juntar forças, orações, pedidos, mentalizações para tentar manter o mínimo de sanidade diante de tudo isso. Eu preciso "ser forte". Mas ninguém sabe que a última coisa que eu quero é ser forte. Porque de tanto ter que ser forte perde-se o direito aos momentos de fraqueza, às lágrimas de cansaço ou de tristeza, às pequenas desilusões cotidianas - tudo isso é negado a quem precisa ser forte 24 horas por dia. E, no fim do dia, não existe um braço afetuoso sobre o qual debruçar a cabeça e que te console das agruras do dia; ninguém para dizer baixinho "vai passar" e deixar você ter teu momento de tristeza e angústia - essas, sim, tão humanas; nenhum colo consolador que te aceite na simplicidade e honestidade de tua fraqueza. Não, é preciso ser estóico, um Hércules, que execute todas os seus 12 trabalhos repetidamente sem reclamar, ser se abater, sem esmorecer, sem derramar uma única lágrima. Só que ao me olhar no espelho não vejo nenhum herói - só um ser humano fraco e triste diante de um mundo de pressões inexoráveis. 


E que ainda dá graças a Deus por isso.




(uma coisa incompleta e triste que pediu para sair ontem, depois de ouvir comentários sobre a pequenez humana no ambiente de trabalho; às vezes é preciso deixar sair esses sentimentos espúrios para que o otimismo não se perca de todo no mar da hostilidade convivial)

27 de mar. de 2011

A materialização da ausência

Eu comecei a escrever este post algum tempo atrás e não consegui terminá-lo. Mas achei por bem publicá-lo assim mesmo, inacabado. Talvez eu o complete depois, mas não é nada certo.

          No dia 5 de novembro de 2010 minha mãe faleceu. Não resistiu a um AVC hemorrágico (o segundo em 10 anos) depois de ficar internada na UTI por cinco dias. Cinco dias em que minha vida foi subitamente suspensa e em que permanci ‘planando’ sobre acontecimentos e decisões que não pareciam estar sendo vivenciados e tomadas por mim.
           Há algo de absoluto na morte que, por mais que saibamos de ‘ouvirmos dos outros’, só se concretiza quando acontece conosco. Algo muda em nossa percepção do mundo, das coisas – concretas e abstratas – que nos rodeiam e permeiam. Para mim, talvez o mais impressionate tenha sido a materialização da ausência. Explico: durante todo o processo, da internação à remoção do corpo e seu estabelecimento na capela do cemitério, havia a materialidade do corpo físico. No hospital minha mãe estava inconsciente, como a encontrei e como permaneceu até depois de ter sido tirada a sedação. No velório havia seu rosto concreto, suas mãos cuidadosamente colocadas sobre o peito, seu sono final coberto de flores brancas, seu corpo vestido com a roupa que eu mesmo escolhera em seu guarda-roupas – tudo visível e palpável. Até o momento em que, privado dessa possibilidade de contemplação pela tampa do caixão, sua imagem real começou a evanescer e sua materialidade finalmente começou a se desfazer. Quando, depois de baixado à sepultura, colocam as lajes que sustentarão a terra e a grama, compreendi que não haveria mais o que ver daquela presença: sua ausência se materializou. Nunca a ausência tornou-se tão significativamente concreta como naquele instante. E nunca sua concretude foi tão dolorosa quanto no momento em que, de volta à casa, enfiei a chave na fechadura para contemplá-la. Foi nesse momento – só nesse momento – que todas as emoções que eu até então conseguira guardar para preservar os familiares que visivelmente estavam muito abalados com a morte de minha mãe, finalmente extravasaram. O abraço vazio e silencioso da ausência liberaram o que eu havia represado até ali. Foi um choro de constatação da inevitabilidade, do irreversível, do que é quase incompreensível. E passou. Como um surto. E veio-me a calma – a mesma que me acompanhara durante todo o processo e que só ali eu começaria a compreender…
         

14 de jan. de 2011

Quebra-cabeças

Você seria capaz de ser amigo de alguém que é irritadiço, mal-humorado, reclamão, impaciente, um verdadeiro chato? Pois é, eu também não. O mais engraçado é que eu tenho amigos. Que gostam de mim apesar de eu me encaixar perfeitamente no perfil acima. É algo que foge completamente à minha compreensão. Mas passei do ponto de tentar entender. Hoje só aceito. Não faz sentido questionar as graças que a vida concede.

Meus amigos são meu oxigênio. Sem eles minha vida seria miserável e eu certamente seria muito mais ranzinza e rabugento do que já sou e, perto dos 50 anos, já estaria em uma clínica de repouso atormentando enfermeiros. Entretanto, cada vez que a vida resolve bater mais forte, o alívio vem sempre de um abraço amigo, tanto físico quanto emocional. Amigos ajudam a gente a não adoecer emocionalmente. São presentes. Aguentam nossas idiossincrasias mas conservam a saudável capacidade de nos mandar à merda ao menor sinal de que estamos ultrapassando os limites. A verdade que sai da boca de um amigo pode doer, e muito, mas sempre carrega em si a dose necessária de "semancol" que tanto necessitamos aqui e ali.

Não à toa dizem que os amigos são a família que escolhemos. Penso que eles nos deixam escolhê-los por ter nos escolhido antes. Não conquistamos os amigos; somos conquistados por eles.

Alguns ficam em nossa vida para sempre. Outros fazem parte dela por um tempo e depois se retiram, porque cumpriram seu papel e precisam seguir em frente confortando outros corações. Amo os dois tipos. Porque ambos sempre ensinam mais do que imaginamos ser capazes de aprender. Algumas amizades ficam "dormentes" por longos períodos, despertando apenas para nos socorrer de algum perigo iminente que nem imaginávamos estivesse para ocorrer - são como o Rei Artur que, diz a lenda, ressurgirá no momento em que a Inglaterra mais precisar de seu herói. Só que nossos amigos não são mitos. São reais e palpáveis. E nos ensinam sobre diferenças, diversidade, alegria, desapego, tristeza, respeito, afetos...

Descobri, com o passar do tempo, que meu coração não é um órgão inteiro, completo: é um quebra-cabeças. Cada amigo que me conquista é uma peça que se encaixa. Disse isso a duas amigas recentemente. Agora torno isso público. Obrigado a cada um dos meus amigos por tornarem meu coração mais completo.

10 de jan. de 2011

Biografia de um presidente - ou mais um comentário impertinente...

Ontem (domingo), passando pela vitrine de importante livraria de São Paulo, dei de cara com uma biografia dita "impecável" no cartaz de divulgação, do presidente americano, Barack Obama. Há pilhas e pilhas do livro na vitrine e me pergunto se conseguirão desovar tal quantidade dessa preciosidade...
Não duvido que o homem Obama tenha qualidades inegáveis que mereçam atenção e respeito. Afinal, numa sociedade ainda extremamente racista apesar de sua pretensa dedicação à democracia, ver a trajetória de um homem afro-americano do anonimato à presidência da mais imperialista das nações constitui fato inédito e digno de nota.
Entretanto, como político o presidente americano ainda não disse ao que veio. Depois de não conseguir implantar as várias medidas que havia prometido em campanha e de haver se comprometido, ainda que por manobras dos adversários, com ideias e ideais que estavam na contramão de sua visão política, fica difícil agregar à imagem do ser humano e cidadão a condição de bom político. Já havia sido precipitada (e extremamente oportunista) a concessão a ele, no início do mandato, de um Nobel da Paz - que se provou ainda mais equivocado e constrangedor com o passar do tempo. Agora surge uma biografia "impecável" de um homem que ainda não terminou de cumprir seu ciclo histórico-político.
Foi precipitação da editora? Não creio - é uma daquelas que publicam coisas interessantes e que mantêm qualidade editorial acurada. Seria, então, uma jogada de marketing para atrair um certo nicho de consumidores que se encontram "alinhados" com a nova (velha) direita linha-dura e que se concentra numa certa faixa (restritíssima) da população paulistana. Se for, creio que superestimaram as vendas: o volume em questão deve ficar encalhado na vitrine ou brevemente será econtrada por um terço do preço de loja em sebos do país, provavelmente junto de velhos livros de política ultrapassados e cuja única função é acumular poeira em prateleiras rente ao chão, onde ninguém se agacha para ver...
Problema de timing da biografia, e da editora brasileira que a lançou no mercado nacional...

20 de dez. de 2010

Experiências foto-gastronômicas

Minha máquina fotográfica tem um recurso interessante: ajuste para fotos "gourmet", que promete avivar as cores e tornar um prato fotografado mais apetitoso. Bem, aqui vão algumas das minhas peripécias deste fim de semana:

Ravioli de mussarela de búfala com molho de tomates
Massa fresca

Torta de Amaretti (receita italiana, que minha afilhada de
casamento Loverci me deu)

Um informação sobre a torta de Amaretti. Amaretti são biscoitos de amêndoas italianos, bem duros. Na receita original, eles são triturados e amaciados em licor Sassolino, que é um licor de anis e especiarias, mas muito pouco doce. Tive que fazer adaptações: Achei Amarettini d'Italia, que são mini-Amaretti, firmes, mas fáceis de esfarelar; e o licor teve que ser um de anis comum, mesmo, da Stock. Conclusão: ficou tudo muito doce, porque o biscoito é doce, o licor é muito doce e a receita pede 250g de açúcar. Da próxima vez, usarei menos açúcar. Ou espero Loverci voltar ao Brasil no ano que vem e me trazer uma garrafa de Sassolino e alguns Amaretti.


Pão integral com 3 farinhas (trigo branca, trigo integral
e de centeio)

Loverci e eu

8 de set. de 2010

Dublin, last day

O dia amanheceu estranho... um pouco nublado, sem grandes promessas. Fui andar em Temple Bar e me deixei perder pelas ruazinhas. Há várias coisas bacanas em Dublin, que pode parecer provinciana, antiga, moderna e descolada. Como Crown Alley. Uma alameda de lojas alternativas, roupas "vintage", grafites, e um pub tradicional, o 3 Crown Alley. Lembrei-me bastante de Desirée. Esta rua se parece com ela. Aliás, Dublin tem muito de Desirée, em suas ladeiras baixas, seus bares regados a Guinness e gente interessante.

Crown Alley - a rua alternativa



3 Crown Alley - vale a visita e o almoço (com Guinness!)

Angus beef with chips and garlic butter

Não dava para ir embora sem experimentar...
fortíssima! encorpada! a cara de Dublin!

Vista do bar do Crown Alley

Tire suas próprias conclusões...

V for Vintage

E o céu de Dublin...

Depois de Temple Bar, fui passear na margem sul do rio Liffey, em direção ao Phoenix Park. Não cheguei a entrar no parque porque um jantar me esperava ao norte de Dublin, em Malahide. Mas foi bem gostoso andar por ali. O tempo ora clareava, ora escurecia - e o céu ia se transformando com os humores do tempo.

É ou não uma pintura?

Em direção ao centro...

E em direção ao Phoenix Park.

Fachada decorada com alto-relevo colorido.

Aproveitando o calor da tarde...

26 de ago. de 2010

Diário de viagem - um pouco de reflexão antes do fim...

Parece, enfim, que as férias estão acabando. Apesar da saudade, devo confessar que não queria voltar. Principalmente depois de ter visto Dublin... Vai ser muito difícil voltar para a realidade depois de ter visto tanta beleza. Mais do que em Londres, eu moraria facilmente em Dublin.


Bem, não sei se já é hora de fazer um balanço, mas posso dizer sem medo de errar que foram as melhores férias da minha vida. Nunca imaginei que conseguiria fazer tanto. Mas fiz. E tenho como provar a mim mesmo. É uma sensação muito boa, pois é a primeira vez que cumpri uma "resolução de ano novo". Eu prometi a mim mesmo, no fim do ano passado, que este ano eu viria para Londres, de qualquer jeito. No fim, foi muito mais. Estou feliz, e muito orgulhoso de mim mesmo.

Quando eu estava olhando o mar da Irlanda, em Dalkey, dois dias atrás, tive uma crise de choro, algo muito forte aconteceu: larguei os grilhões - pela primeira vez na vida me senti livre, livre como nunca sonhei ser possível. E pude finalmente dizer a mim mesmo: eu mereço. Pode parecer ingênuo, mas fez uma grande diferença para mim, jogar fora tantos anos de condicionamento "negativo", achando que eu não merecia conquistar vitórias, por menores que elas fossem. Pela primeira vez o mundo ficou do tamanho certo,nem menor nem maior do que eu pensava. O mundo é real.
 
Nessas férias encontrei pessoas de diferentes nacionalidades, diferentes culturas, mesmo quando eram do mesmo país, e em cada uma pude perceber um ponto de contato, um traço de humanidade que nos proporciona a dimensão exata da igualdade. Todos temos nossas idiossincrasias, nossos medos, nossas angústias, algumas muito particulares e individuais, e outras mais "universais". Existem pessoas apaixonadas e apaixonantes em todos os lugares. Com cada uma delas aprendi um pouco mais sobre mim mesmo.
 
Cada pessoa que encontrei e com quem conversei fez alguma diferença em minha vida: as colegas de curso da Espanha, do Japão, da China; os professores ingleses; o português que gerencia a cantina universitária e seu funcionário espanhol; a eslovena da Le Pain Quotidien de Tottenham Ct Rd, a pós-adolescente irlandesa que me confirmou que confirmou que eu estava na plataforma certa para pegar o trem para Dalkey e com quem conversei durante todo o trajeto; o senhor na praia de Killiney que me falou sobre Paulo Freire, distribuição de riquezas e desigualdade social na Irlanda; o jardineiro de um serviço social ao lado da St Pancras Station, que atua em um projeto do governo para pessoas com diferentes graus de problemas mentais (ele foi aposentado prematuramente da Marks and Spencer devido à depressão provocada pelo assédio moral de uma gerente - depois de 20 anos de trabalho); o atendente de olhos azuis e voz de baixo profundo da Royal Watercolour Society, que me falou de sua experiência no aprendizado da língua alemã; Thibault, o francês da Córsega, dono do bed & breakfast em South Ealing, onde estou passando as últimas horas de minha estada em Londres.
 
Cada uma dessas e tantas outras pessoas com quem cruzei por aqui fez a mágica de transformar profundamente, e imperceptivelmente, a minha vida. Pois tudo poderia ter sido (e certamente teria sido) completamente diferente se eu não os tivesse conhecido.
 
Pode ser que tudo que eu esteja falando aqui seja uma grande bobagem, mas faz sentido, muito sentido, para mim. Não sei se poderei fazer uma viagem como essa de novo (mas vou trabalhar bastante para conseguir), mas se não der, estou feliz. Olhando para trás, para a escola municipal onde cursei a quarta série em Santa Margarida, bairro esquecido do remoto distrito de Campo Grande - Rio de Janeiro -, vejo que havia todas as condições para que a minha trajetória fosse totalmente diferente. Mas cheguei mais longe do que jamais aquele garoto de 11 anos sonhara chegar quando terminou a quarta série do primário.
 
Só uma coisa não mudou: a capacidade de maravilhar-se com a vida. Espero continuar enxergando as coisas com os olhos daquele menino, porque ele me ensinou coisas muito interessantes sobre mim e o mundo.
 
O diário vai continuar depois, com mais fotos de Dublin, mas muito poucas de Londres, pois, como disse, o verão acabou: a chuva veio para ficar, embora sem muito frio. E estou fazendo o possível para espremer minha bagagem em duas malas... mas já tive que comprar outra mochila...

23 de ago. de 2010

Diário de Viagem - Dublin, entre Dalkey e Killiney

Hoje amanheceu chovendo. Muito. E fez frio. Muito frio. Passei a manhã tentando resolver uma pendenga com a Credicard, que resolveu bloquear meu cartão, mesmo eu tendo limite. Decidi que vou despachar a mala na Ryanair, porque não vou sair de Dublin de mãos vazias. Uma peça só de bagagem não dá. Só que, parta acrescentar uma mala, preciso do cartão, que está boqueado. Uma M....

Depois de não ter conseguido, decido ir para a National Gallery. Antes, café da manhã na Kylemore, ao lado da estátua de Joyce. O sistema é self-service e você pode escolher várias opções como, por exemplo, pagar pela quantidade de itens que colocar em sua bandeja. Lugar muito movimentado e interessante.

Como estou só com o corta-vento, que gela sob chuva, decido comprar um casaco leve. Entro na Penneys, que eu já havia "paquerado" no dia anterior e, em lugar de comprar um casaco leve, compro uma jaqueta muito descolada, quente, com capuz destacável, muitos bolsos e super bonita por €26,00!!! Vinte e seis euros, ou 70 reais!!!! Ela custaria umas quatro vezes isso no Brasil. Vasculho a loja e descubro que os preços são de fazer qualquer comprador contumaz se endividar para o resto da vida. Fico com a jaqueta e uma bolsa nova, que custou só €3,00!

Saio da loja com a jaqueta e a bolsa. E o guarda-chuva que trouxe do Brasil e que passa a ser um super companheiro. Destino: Trinity College, para ver o Book of Kells. Subo mno ônibus de turismo de Dublin, já que o ingresso vale por dois dias, e economizo pernas. Mas a fila para o Book of Kells já estava quilométrica. Desisto e vou para a National Gallery. Embaixo de chuva... e derretendo dentro da jaqueta nova, apesar do vento frio. É assim: quando sai so;, esquenta muito, mas rapidamente chove e esfria, porque a água é gelada. Mas aí faz sol de novo... e assim caminham os dublinenses...

Menos de meia hora depois o sol se abre... mas não se sabe por quanto tempo.

Naional Gallery of Ireland

Passo horas na galeria. Há uma ala dedicada à obra do maior pintor irlandês, John Butler Yeats, que é nada mais, nada menos do que irmão de outro irlandês ilustre: William Butler Yeats, escritor e poeta. John tem obras memoráveis e percebemos claramente (a exposição é didática) a evolução de sua pintura, do figurativismo rigoroso e pessoal a um claro impressionismo tardio, em que as pinceladas mais sugerem do que  explicam. E ele teve seguidores, que são tema de duas exposições seguintes.

A National tem coisas interessantes, mas um dos momentos mais emocionantes foi ficar frente a frente com A Prisão de Cristo, de Caravaggio. Impossível segurar a emoção: estou vendo, de verdade e de perto, um quadro de um dos meus pintores italianos preferidos; esse quadro está em Dublin; e nele está pintada uma das mais extraordinárias representações de Cristo. Sento-me no banco em frente ao quadro e choro, choro muito... tenho a certeza absoluta de que posso morrer agora, com a maior tranquilidade de espírito e plenitude de alma... Não vai ser a primeira vez que vou chorar hoje, mas certamente é uma das mais fortes. A reprodução na Wikipedia não é muito boa, mas dá para ter uma idéia do quadro. Clique aqui. Ainda constam da coleção Fra Angelico (e lágrimas), Goya, Velazquez, Gainsborough, Ticiano...

Saio, o sol enganador espera minha saída para se esconder. Caminho até a estação do DART, trem que liga a costa norte à costa sul, passando por Dublin. Dirijo-me para o vilarejo litorâneo de Dalkey. E aí começa mais uma aventura de beleza.

A estação de Pearse, onde pego o DART

A estação por dentro.

Do outro lado.
Aqui, como em Paris. é preciso apertar um botão para que a porta se abra. Com a diferença de aqui o botão funciona e não é preciso fazer força, como na França.

A estação de Dalkey

A principal rua de Dalkey

Mesmo em um vilarejo há uma grande livraria. E uma biblioteca! (que eu não fotografei).

Castelo de Dalkey, onde há uma representação da época dos Tudor, com atores a caráter. Não assisti, mas parece ser interessante.

Dalkey

Ruela em Dalkey

Vitrine da padaria irlandesa...

...e o meu maravilho doce com frutas vermelhas sobre pão de ló e base com massa de amêndoas, com capuccino.

Dalkey vista da ponte da estação

A estação vista da ponte

A caminho do mar... aqui estarão várias imagens que fui fazendo pelo caminho, mas sem muitas legendas.




Chegando ao pier... brindado com um arco íris.

Alguém que lagosta? Ou caranguejo?








De frente para as ilhas Dalky, eu sentei-me e chorei copiosamente, agradecido por estar ali, vivendo uma coisa tão especial e que eu jamais pensei que poderia acontecer em minha vida...








Preciso dormir. Depois termino.