8 de set. de 2010

Dublin, last day

O dia amanheceu estranho... um pouco nublado, sem grandes promessas. Fui andar em Temple Bar e me deixei perder pelas ruazinhas. Há várias coisas bacanas em Dublin, que pode parecer provinciana, antiga, moderna e descolada. Como Crown Alley. Uma alameda de lojas alternativas, roupas "vintage", grafites, e um pub tradicional, o 3 Crown Alley. Lembrei-me bastante de Desirée. Esta rua se parece com ela. Aliás, Dublin tem muito de Desirée, em suas ladeiras baixas, seus bares regados a Guinness e gente interessante.

Crown Alley - a rua alternativa



3 Crown Alley - vale a visita e o almoço (com Guinness!)

Angus beef with chips and garlic butter

Não dava para ir embora sem experimentar...
fortíssima! encorpada! a cara de Dublin!

Vista do bar do Crown Alley

Tire suas próprias conclusões...

V for Vintage

E o céu de Dublin...

Depois de Temple Bar, fui passear na margem sul do rio Liffey, em direção ao Phoenix Park. Não cheguei a entrar no parque porque um jantar me esperava ao norte de Dublin, em Malahide. Mas foi bem gostoso andar por ali. O tempo ora clareava, ora escurecia - e o céu ia se transformando com os humores do tempo.

É ou não uma pintura?

Em direção ao centro...

E em direção ao Phoenix Park.

Fachada decorada com alto-relevo colorido.

Aproveitando o calor da tarde...

26 de ago. de 2010

Diário de viagem - um pouco de reflexão antes do fim...

Parece, enfim, que as férias estão acabando. Apesar da saudade, devo confessar que não queria voltar. Principalmente depois de ter visto Dublin... Vai ser muito difícil voltar para a realidade depois de ter visto tanta beleza. Mais do que em Londres, eu moraria facilmente em Dublin.


Bem, não sei se já é hora de fazer um balanço, mas posso dizer sem medo de errar que foram as melhores férias da minha vida. Nunca imaginei que conseguiria fazer tanto. Mas fiz. E tenho como provar a mim mesmo. É uma sensação muito boa, pois é a primeira vez que cumpri uma "resolução de ano novo". Eu prometi a mim mesmo, no fim do ano passado, que este ano eu viria para Londres, de qualquer jeito. No fim, foi muito mais. Estou feliz, e muito orgulhoso de mim mesmo.

Quando eu estava olhando o mar da Irlanda, em Dalkey, dois dias atrás, tive uma crise de choro, algo muito forte aconteceu: larguei os grilhões - pela primeira vez na vida me senti livre, livre como nunca sonhei ser possível. E pude finalmente dizer a mim mesmo: eu mereço. Pode parecer ingênuo, mas fez uma grande diferença para mim, jogar fora tantos anos de condicionamento "negativo", achando que eu não merecia conquistar vitórias, por menores que elas fossem. Pela primeira vez o mundo ficou do tamanho certo,nem menor nem maior do que eu pensava. O mundo é real.
 
Nessas férias encontrei pessoas de diferentes nacionalidades, diferentes culturas, mesmo quando eram do mesmo país, e em cada uma pude perceber um ponto de contato, um traço de humanidade que nos proporciona a dimensão exata da igualdade. Todos temos nossas idiossincrasias, nossos medos, nossas angústias, algumas muito particulares e individuais, e outras mais "universais". Existem pessoas apaixonadas e apaixonantes em todos os lugares. Com cada uma delas aprendi um pouco mais sobre mim mesmo.
 
Cada pessoa que encontrei e com quem conversei fez alguma diferença em minha vida: as colegas de curso da Espanha, do Japão, da China; os professores ingleses; o português que gerencia a cantina universitária e seu funcionário espanhol; a eslovena da Le Pain Quotidien de Tottenham Ct Rd, a pós-adolescente irlandesa que me confirmou que confirmou que eu estava na plataforma certa para pegar o trem para Dalkey e com quem conversei durante todo o trajeto; o senhor na praia de Killiney que me falou sobre Paulo Freire, distribuição de riquezas e desigualdade social na Irlanda; o jardineiro de um serviço social ao lado da St Pancras Station, que atua em um projeto do governo para pessoas com diferentes graus de problemas mentais (ele foi aposentado prematuramente da Marks and Spencer devido à depressão provocada pelo assédio moral de uma gerente - depois de 20 anos de trabalho); o atendente de olhos azuis e voz de baixo profundo da Royal Watercolour Society, que me falou de sua experiência no aprendizado da língua alemã; Thibault, o francês da Córsega, dono do bed & breakfast em South Ealing, onde estou passando as últimas horas de minha estada em Londres.
 
Cada uma dessas e tantas outras pessoas com quem cruzei por aqui fez a mágica de transformar profundamente, e imperceptivelmente, a minha vida. Pois tudo poderia ter sido (e certamente teria sido) completamente diferente se eu não os tivesse conhecido.
 
Pode ser que tudo que eu esteja falando aqui seja uma grande bobagem, mas faz sentido, muito sentido, para mim. Não sei se poderei fazer uma viagem como essa de novo (mas vou trabalhar bastante para conseguir), mas se não der, estou feliz. Olhando para trás, para a escola municipal onde cursei a quarta série em Santa Margarida, bairro esquecido do remoto distrito de Campo Grande - Rio de Janeiro -, vejo que havia todas as condições para que a minha trajetória fosse totalmente diferente. Mas cheguei mais longe do que jamais aquele garoto de 11 anos sonhara chegar quando terminou a quarta série do primário.
 
Só uma coisa não mudou: a capacidade de maravilhar-se com a vida. Espero continuar enxergando as coisas com os olhos daquele menino, porque ele me ensinou coisas muito interessantes sobre mim e o mundo.
 
O diário vai continuar depois, com mais fotos de Dublin, mas muito poucas de Londres, pois, como disse, o verão acabou: a chuva veio para ficar, embora sem muito frio. E estou fazendo o possível para espremer minha bagagem em duas malas... mas já tive que comprar outra mochila...

23 de ago. de 2010

Diário de Viagem - Dublin, entre Dalkey e Killiney

Hoje amanheceu chovendo. Muito. E fez frio. Muito frio. Passei a manhã tentando resolver uma pendenga com a Credicard, que resolveu bloquear meu cartão, mesmo eu tendo limite. Decidi que vou despachar a mala na Ryanair, porque não vou sair de Dublin de mãos vazias. Uma peça só de bagagem não dá. Só que, parta acrescentar uma mala, preciso do cartão, que está boqueado. Uma M....

Depois de não ter conseguido, decido ir para a National Gallery. Antes, café da manhã na Kylemore, ao lado da estátua de Joyce. O sistema é self-service e você pode escolher várias opções como, por exemplo, pagar pela quantidade de itens que colocar em sua bandeja. Lugar muito movimentado e interessante.

Como estou só com o corta-vento, que gela sob chuva, decido comprar um casaco leve. Entro na Penneys, que eu já havia "paquerado" no dia anterior e, em lugar de comprar um casaco leve, compro uma jaqueta muito descolada, quente, com capuz destacável, muitos bolsos e super bonita por €26,00!!! Vinte e seis euros, ou 70 reais!!!! Ela custaria umas quatro vezes isso no Brasil. Vasculho a loja e descubro que os preços são de fazer qualquer comprador contumaz se endividar para o resto da vida. Fico com a jaqueta e uma bolsa nova, que custou só €3,00!

Saio da loja com a jaqueta e a bolsa. E o guarda-chuva que trouxe do Brasil e que passa a ser um super companheiro. Destino: Trinity College, para ver o Book of Kells. Subo mno ônibus de turismo de Dublin, já que o ingresso vale por dois dias, e economizo pernas. Mas a fila para o Book of Kells já estava quilométrica. Desisto e vou para a National Gallery. Embaixo de chuva... e derretendo dentro da jaqueta nova, apesar do vento frio. É assim: quando sai so;, esquenta muito, mas rapidamente chove e esfria, porque a água é gelada. Mas aí faz sol de novo... e assim caminham os dublinenses...

Menos de meia hora depois o sol se abre... mas não se sabe por quanto tempo.

Naional Gallery of Ireland

Passo horas na galeria. Há uma ala dedicada à obra do maior pintor irlandês, John Butler Yeats, que é nada mais, nada menos do que irmão de outro irlandês ilustre: William Butler Yeats, escritor e poeta. John tem obras memoráveis e percebemos claramente (a exposição é didática) a evolução de sua pintura, do figurativismo rigoroso e pessoal a um claro impressionismo tardio, em que as pinceladas mais sugerem do que  explicam. E ele teve seguidores, que são tema de duas exposições seguintes.

A National tem coisas interessantes, mas um dos momentos mais emocionantes foi ficar frente a frente com A Prisão de Cristo, de Caravaggio. Impossível segurar a emoção: estou vendo, de verdade e de perto, um quadro de um dos meus pintores italianos preferidos; esse quadro está em Dublin; e nele está pintada uma das mais extraordinárias representações de Cristo. Sento-me no banco em frente ao quadro e choro, choro muito... tenho a certeza absoluta de que posso morrer agora, com a maior tranquilidade de espírito e plenitude de alma... Não vai ser a primeira vez que vou chorar hoje, mas certamente é uma das mais fortes. A reprodução na Wikipedia não é muito boa, mas dá para ter uma idéia do quadro. Clique aqui. Ainda constam da coleção Fra Angelico (e lágrimas), Goya, Velazquez, Gainsborough, Ticiano...

Saio, o sol enganador espera minha saída para se esconder. Caminho até a estação do DART, trem que liga a costa norte à costa sul, passando por Dublin. Dirijo-me para o vilarejo litorâneo de Dalkey. E aí começa mais uma aventura de beleza.

A estação de Pearse, onde pego o DART

A estação por dentro.

Do outro lado.
Aqui, como em Paris. é preciso apertar um botão para que a porta se abra. Com a diferença de aqui o botão funciona e não é preciso fazer força, como na França.

A estação de Dalkey

A principal rua de Dalkey

Mesmo em um vilarejo há uma grande livraria. E uma biblioteca! (que eu não fotografei).

Castelo de Dalkey, onde há uma representação da época dos Tudor, com atores a caráter. Não assisti, mas parece ser interessante.

Dalkey

Ruela em Dalkey

Vitrine da padaria irlandesa...

...e o meu maravilho doce com frutas vermelhas sobre pão de ló e base com massa de amêndoas, com capuccino.

Dalkey vista da ponte da estação

A estação vista da ponte

A caminho do mar... aqui estarão várias imagens que fui fazendo pelo caminho, mas sem muitas legendas.




Chegando ao pier... brindado com um arco íris.

Alguém que lagosta? Ou caranguejo?








De frente para as ilhas Dalky, eu sentei-me e chorei copiosamente, agradecido por estar ali, vivendo uma coisa tão especial e que eu jamais pensei que poderia acontecer em minha vida...








Preciso dormir. Depois termino.