19 de ago. de 2009
30 de mai. de 2009
Fragmento de carta a uma amiga
Mas as coisas passam. Essas fases complicadas se alternam com as fases legais. O problema é que os problemas às vezes batem feio na gente e a gente se deixar espancar por eles. É como estar tão perto da parede que não se enxerga o todo, só se vê o tijolo muito perto e suas imperfeições e irregularidades. Só quando a gente consegue se afastar é que se dá conta de que a parede é só um muro, e nem tão alto assim.
.............................................
Vê, você não está só. Nós nunca estamos sós. Nós, os que sentimos, os que sofremos, os que choramos com as nossas mazelas e as de outrem; os que pensamos, os que sonhamos mundos melhores ainda que sempre no plano da esperança, nós nunca estamos sozinhos. Nós nos confortamos uns aos outros; nós tornamos a grande vida suportável; nós lambemos a tampinha metálica do iogurte; nós antegozamos o sabor do chocolate no fim do dia cansado; nós pintamos; nós escrevemos; nós ouvimos música; nós ouvimos o nosso silêncio mútuo em comunhão, porque assim são os amigos: aqueles diante de quem podemos ficar em silêncio com a certeza de que jamais estamos sozinhos.
.............................................
Vê, você não está só. Nós nunca estamos sós. Nós, os que sentimos, os que sofremos, os que choramos com as nossas mazelas e as de outrem; os que pensamos, os que sonhamos mundos melhores ainda que sempre no plano da esperança, nós nunca estamos sozinhos. Nós nos confortamos uns aos outros; nós tornamos a grande vida suportável; nós lambemos a tampinha metálica do iogurte; nós antegozamos o sabor do chocolate no fim do dia cansado; nós pintamos; nós escrevemos; nós ouvimos música; nós ouvimos o nosso silêncio mútuo em comunhão, porque assim são os amigos: aqueles diante de quem podemos ficar em silêncio com a certeza de que jamais estamos sozinhos.
21 de mai. de 2009
Samba do Blogueiro Doido
Um pouco impressionante essa história de página pessoal (ainda tenho birra com a palavra 'blog'). Um amigo, namorado de uma amiga minha, se animou - diz ela que por causa da minha - e fez uma, de conteúdo político e de alta octanagem. Agora recebo a contribuição de uma pessoa do trabalho que resolveu mostrar sua verve poética. Segue aqui o texto:
Sambinha
Por Ana Flávia
to me mandando pra tua banda
que no meu bando nao me vejo mais
to me metendo no seu mundo louco
porque o meu tempo
já ficou pra trás
vou indo embora pro teu aconchego
porque aqui
quanto mais se aquece
estremece mais
a lua anda meio cabisbaixa
no meio do povo
que não me deixa em paz
é um tal da chuva escorrer pra cima
é um tal do vento não deixar sinais
que eu vou vivendo
meio com medo
de você me esquecer
e não voltar jamais
20/05/2009
Sambinha
Por Ana Flávia
to me mandando pra tua banda
que no meu bando nao me vejo mais
to me metendo no seu mundo louco
porque o meu tempo
já ficou pra trás
vou indo embora pro teu aconchego
porque aqui
quanto mais se aquece
estremece mais
a lua anda meio cabisbaixa
no meio do povo
que não me deixa em paz
é um tal da chuva escorrer pra cima
é um tal do vento não deixar sinais
que eu vou vivendo
meio com medo
de você me esquecer
e não voltar jamais
20/05/2009
19 de mai. de 2009
Concursos de Miss (um pouco de humor)
Por que ninguém é de ferro, há que se rir de vez em quando. Outro dia, por causa do concurso Miss Brasil, fui interpelado por uma colega de trabalho pedindo sugestões de combinações com a palavra miss que resultassem, ao serem ditas em voz alta, em algo engraçado. Lembrei-me, na hora, de uma do Renato Aragão, de muitos anos atrás, "Miss Cangalha". O problema é que parece que 'acendeu' uma lâmpada de bobagens na minha cabeça e eu acabei escrevendo uma lista enorme. Hoje eu resolvi 'classificar' os títulos em categorias e publicar aqui. Algumas nem são tão boas, mas como fazem parte da 'coleção', a gente deixa. Divirtam-se!
Para as que se derretem por qualquer coisa
Miss Corre
Miss Vai
Miss Correga
Para as que adoram um SM básico
Miss Craviza
Miss Peta
Para as que adoram cartas de amor
Miss Creve
Para as que precisam ser ouvidas
Miss Cuta
Para as que têm mania de limpeza
Miss Frega
Para as que amamentam
Miss Guicha
Para as que são complicadas
Miss Miúça
Miss Pecifica
Para as que ocupam a cama inteira
Miss Palha
Miss Parrama
Para as que vivem caindo
Miss Tatela
Para as que se assustam com tudo
Miss Panta
Para as que adoram aparecer
Miss Põe
Para as que precisam dizer o que sentem
Miss Pressa
Miss Prime
Para as que têm mania de perseguição
Miss Preita
Para as friorentas
Miss Quenta
Para as que adoram um carro
Miss Taciona
Para as que se acham baixinhas
Miss Tica
Para a que precisam de incentivo
Miss Timula
Para as que adoram ser mimadas
Miss Traga
Para as mal-encaradas
Miss Tranha
Para as chatas
Miss Corraça
Para as muito feias
Miss Quece
Miss Conde
Para as metidas
Miss Noba
Para as menos favorecidas intelectualmente
Miss Plica
Miss Clarece
Para as mulheres de malandro
Miss Panca
Miss Bofeteia
Miss Tapeia
Miss Gana
Para as que vivem gritando
Miss Goela
Para as que adoram uma festa
Miss Balda
Para as que se assustam com tudo
Miss Ericórdia!
Aceito sugestões de categoria para os seguintes prêmios: Miss Preme, Miss Tremece, Miss Cangalha, Miss Culhamba, Miss Toura, Miss Traçalha
Para as que se derretem por qualquer coisa
Miss Corre
Miss Vai
Miss Correga
Para as que adoram um SM básico
Miss Craviza
Miss Peta
Para as que adoram cartas de amor
Miss Creve
Para as que precisam ser ouvidas
Miss Cuta
Para as que têm mania de limpeza
Miss Frega
Para as que amamentam
Miss Guicha
Para as que são complicadas
Miss Miúça
Miss Pecifica
Para as que ocupam a cama inteira
Miss Palha
Miss Parrama
Para as que vivem caindo
Miss Tatela
Para as que se assustam com tudo
Miss Panta
Para as que adoram aparecer
Miss Põe
Para as que precisam dizer o que sentem
Miss Pressa
Miss Prime
Para as que têm mania de perseguição
Miss Preita
Para as friorentas
Miss Quenta
Para as que adoram um carro
Miss Taciona
Para as que se acham baixinhas
Miss Tica
Para a que precisam de incentivo
Miss Timula
Para as que adoram ser mimadas
Miss Traga
Para as mal-encaradas
Miss Tranha
Para as chatas
Miss Corraça
Para as muito feias
Miss Quece
Miss Conde
Para as metidas
Miss Noba
Para as menos favorecidas intelectualmente
Miss Plica
Miss Clarece
Para as mulheres de malandro
Miss Panca
Miss Bofeteia
Miss Tapeia
Miss Gana
Para as que vivem gritando
Miss Goela
Para as que adoram uma festa
Miss Balda
Para as que se assustam com tudo
Miss Ericórdia!
Aceito sugestões de categoria para os seguintes prêmios: Miss Preme, Miss Tremece, Miss Cangalha, Miss Culhamba, Miss Toura, Miss Traçalha
16 de mai. de 2009
Ela viu e disse que gostou
Minha amiga Sandrinha (Sandrix), viu seu poema postado aqui. Ela disse que gostou do texto que eu escrevi. Era para ela rir, mas ela chorou (acho que de alegria). Um doce. E deixou o texto. Ainda bem!
12 de mai. de 2009
Um pouco a cada dia
Não é nada fácil. Dizem que é como praticar exercícios ou tocar um instrumento: só se melhora com a persistência, com o trabalho diário, árduo, às vezes sem imaginação e com resultados pífios, mas não se deve desistir. Em algum momento o esforço deverá se mostrar útil e algo proveitoso deve acabar surgindo de tanto "suor e lágrimas".
Bem, aqui estou eu, no meu exercício: escrever. Ainda que sejam poucas linhas e que seu conteúdo nem seja algo relevante. Mas é preciso. É preciso principalmente agora que, um pouco no susto, descubro que aquelas mazelas da vida moderna começaram a se aproximar: o tal do estresse, a tensão diária e... o colesterol alto, a hipertensão, a indisposição e o cansaço. Não achei que chegariam tão cedo (não achei nem que chegariam! doce ilusão...). Dieta, exames, 'check-ups'. Meu projeto de viver cem anos começa a ser seriamente ameaçado... Não bastava o rim matemático nem as manchas de pele - não isso tava fácil. Tinha que mexer com as vontades mais traiçoeiras: as da comida, as da preguiça. Porque de uma tacada só tenho que fechar a boca e mexer o corpo! Que maçada!
E eu pensando que seguiria os passos de Dª Maria do Sacramento Brandão Ramos, minha doce vó, que viveu 103 anos. 103!!! Bah, que nada. Agora é "você precisa fazer exercícios"; "mas Dr, não tenho tempo! a que horas vou fazer isso? de meia-noite às seis? um homem de bem precisa dormir!". "Encaixa", diz ele sem tirar os olhos dos pedidos de exame que freneticamente escreve, um após o outro. Encaixa como, criatura? Acordar mais cedo? Ai, meu Deus! Macunaimicamente: "Ai que preguiça!". Mas acho que não vai ter muita saída: levantar mais cedo para pelo menos 30 minutos de caminhada pela Sumaré, fazer o quê. Pelo menos é de graça. Sim, porque as academias por aqui andam com os preços que provocam uma suadeira no bolso que só.
Acho que dá para viver sem um salzinho. Mas sem a manteiga e o queijo, ai, aí fica mais difícil. "Diminui", diz meu carrasco/salvador vestido de jaleco branco (franzo a testa, cerro os olhos e miro bem para ver se não tem nenhum sinalzinho de sarcasmo na fuça desse destemido - não tem, para sorte dele). Dá para por adoçante no café, mas dá para viver sem batata? Frita (sumo pecado), cozida, purê, sauté, com carne assada, na salada, "baked" com pasta de frango e requeijão, com maionese (light, claro!). Martírio. Mas, em nome do coração, faz-se o sacrifício. Até o sorvete agora é "dáiete". De iogurte. Ah, não, a calda de frutas vermelhas não conta, né. Covardia, tirar: fica tão bonitinha em cima da bola de sorvete. E é só de vez em quando ("tipo assim" toda semana).
Sim, em nome do coração, vale o sacrifício. Afinal, ainda quero ir a Londres por 15 dias (pelo menos), conhecer as Shetland, visitar minha afilhada de casamento em Reggio Emilia, dar um pulinho em Veneza antes que (ela) afunde de vez, conhecer o novo apartamento de meu amigo francês em Rennes, perambular pelas ruas de Paris, conhecer a vinícola perto de onde meu amigo brasileiro mora em Mâcon, e ainda fazer umas paradas estratégicas nos amigos em Munique e Colônia, e em Madri - ah, já estava esquecendo de Gaudí, em Barcelona! Tem que ter saúde para isso (o dinheiro também, mas essa é outra história).
Se não der para fazer isso tudo (que não precisa ser de uma vez - a não ser, é claro, que eu ganhe na mega-sena, hehe), quero pelo menos passar meus quinze dias em Londres e andar bastante a pé, visitar as várias livrarias que assinalei no meu guia "Booklover's London" e, se der, ainda dar outra canja cantando bossa-nova em um pub nas Docklands (sim, isso já aconteceu uma vez, mas também é uma outra história).
Se mesmo isso não der, quero me formar, quero aprender a escrever, quero continuar cantando até secar a garganta, quero continuar fazendo trabalho voluntário, quero cuidar de um jardim, quero reunir os amigos para uma (ou várias) taça(s) de vinho e um bom papo. Quero voltar a dar aulas. Quero dividir com os outros a alegria de aprender uma língua estrangeira e, com ela, abrir janelas para paisagens que poucas vezes teríamos chance de ver.
Por isso, diminuir o sal, o açúcar, a carne, e até a noite de sono vale. Como escrever, viver é assim: um pouco a cada dia.
Bem, aqui estou eu, no meu exercício: escrever. Ainda que sejam poucas linhas e que seu conteúdo nem seja algo relevante. Mas é preciso. É preciso principalmente agora que, um pouco no susto, descubro que aquelas mazelas da vida moderna começaram a se aproximar: o tal do estresse, a tensão diária e... o colesterol alto, a hipertensão, a indisposição e o cansaço. Não achei que chegariam tão cedo (não achei nem que chegariam! doce ilusão...). Dieta, exames, 'check-ups'. Meu projeto de viver cem anos começa a ser seriamente ameaçado... Não bastava o rim matemático nem as manchas de pele - não isso tava fácil. Tinha que mexer com as vontades mais traiçoeiras: as da comida, as da preguiça. Porque de uma tacada só tenho que fechar a boca e mexer o corpo! Que maçada!
E eu pensando que seguiria os passos de Dª Maria do Sacramento Brandão Ramos, minha doce vó, que viveu 103 anos. 103!!! Bah, que nada. Agora é "você precisa fazer exercícios"; "mas Dr, não tenho tempo! a que horas vou fazer isso? de meia-noite às seis? um homem de bem precisa dormir!". "Encaixa", diz ele sem tirar os olhos dos pedidos de exame que freneticamente escreve, um após o outro. Encaixa como, criatura? Acordar mais cedo? Ai, meu Deus! Macunaimicamente: "Ai que preguiça!". Mas acho que não vai ter muita saída: levantar mais cedo para pelo menos 30 minutos de caminhada pela Sumaré, fazer o quê. Pelo menos é de graça. Sim, porque as academias por aqui andam com os preços que provocam uma suadeira no bolso que só.
Acho que dá para viver sem um salzinho. Mas sem a manteiga e o queijo, ai, aí fica mais difícil. "Diminui", diz meu carrasco/salvador vestido de jaleco branco (franzo a testa, cerro os olhos e miro bem para ver se não tem nenhum sinalzinho de sarcasmo na fuça desse destemido - não tem, para sorte dele). Dá para por adoçante no café, mas dá para viver sem batata? Frita (sumo pecado), cozida, purê, sauté, com carne assada, na salada, "baked" com pasta de frango e requeijão, com maionese (light, claro!). Martírio. Mas, em nome do coração, faz-se o sacrifício. Até o sorvete agora é "dáiete". De iogurte. Ah, não, a calda de frutas vermelhas não conta, né. Covardia, tirar: fica tão bonitinha em cima da bola de sorvete. E é só de vez em quando ("tipo assim" toda semana).
Sim, em nome do coração, vale o sacrifício. Afinal, ainda quero ir a Londres por 15 dias (pelo menos), conhecer as Shetland, visitar minha afilhada de casamento em Reggio Emilia, dar um pulinho em Veneza antes que (ela) afunde de vez, conhecer o novo apartamento de meu amigo francês em Rennes, perambular pelas ruas de Paris, conhecer a vinícola perto de onde meu amigo brasileiro mora em Mâcon, e ainda fazer umas paradas estratégicas nos amigos em Munique e Colônia, e em Madri - ah, já estava esquecendo de Gaudí, em Barcelona! Tem que ter saúde para isso (o dinheiro também, mas essa é outra história).
Se não der para fazer isso tudo (que não precisa ser de uma vez - a não ser, é claro, que eu ganhe na mega-sena, hehe), quero pelo menos passar meus quinze dias em Londres e andar bastante a pé, visitar as várias livrarias que assinalei no meu guia "Booklover's London" e, se der, ainda dar outra canja cantando bossa-nova em um pub nas Docklands (sim, isso já aconteceu uma vez, mas também é uma outra história).
Se mesmo isso não der, quero me formar, quero aprender a escrever, quero continuar cantando até secar a garganta, quero continuar fazendo trabalho voluntário, quero cuidar de um jardim, quero reunir os amigos para uma (ou várias) taça(s) de vinho e um bom papo. Quero voltar a dar aulas. Quero dividir com os outros a alegria de aprender uma língua estrangeira e, com ela, abrir janelas para paisagens que poucas vezes teríamos chance de ver.
Por isso, diminuir o sal, o açúcar, a carne, e até a noite de sono vale. Como escrever, viver é assim: um pouco a cada dia.
Sandrinha, Sandrix
Sandrinha, Sandrix
Quando nos reencontramos pela primeira vez, muitos anos atrás, ela ouviu minha voz e eu a sua.
Nos reconhecemos. Estava claro: amigos desde sempre, como poucos outros o são. Naquele tempo ela não escrevia, mas lia, bastante. Cantava muito, tocava violão e ouvíamos, horas sem fim, os discos de que tanto gostávamos. Ela os tinha, eu os usufruia. E assim passávamos as horas, conversando sobre tudo e ouvindo música. MPB, só MPB (éramos radicais). Só Elis, Tom, Gal, Bethania, Chico, Caetano, um pouco de Djavan... aprendemos muitas músicas nessa época. Eu escrevia, lia para ela e ela ouvia. Ainda jovem e, como eu, ainda não burilada no gosto, gostava do que ouvia.
Agora, Sadrinha, Sandrix, cresceu. Não por fora, que ela continua pequena, mas por dentro. Virou uma gente de coração assim maior do que o peito, às vezes acho até que maior do que a vida. Inteligente, sagaz, de olhos apertados quando lê, de voz pequena mas doce que quando canta (perdoem a rima pobre) me encanta. Ela me surpreende quase sempre - coisa que muita gente não consegue mais. Ela o faz, e sempre desse jeito bom, desse jeito amigo que quando desata o nó do peito mostra uma luz sempre variada, que lava e limpa a tristeza do rosto da gente.
Sandrinha, Sandrix, cresceu. E escreve. "Que nem gente grande" (risos). Este é o poema que ela escreveu a propósito... bem, vocês verão:
A Garrafa Pet
08/05/2009
No sinal fechando
Desacelerei meu bom carro
Meu som alto
Meu bom mundo
No sinal fechado
Ele vinha contente
Sorrindo bem distante
No mundo bom dele
O menino contagiou-me
Sorri junto e fiquei feliz
Debaixo da linha do metrô
No bairro de Santana
Um menino de farol
E seu carro imaginário
Num instante inesperado
Dei-me conta do que via
Ele mesmo não sabia
Que o brinquedo em que ele estava
Não passava de uma rasa e
Bem amassada garrafa pet
Sem roda
Sem banco
Sem som
E sem direção
Seu sonho o conduzia
Nesta triste alegria
E o menino continuou
No seu carro bom
by Sandra Regina Rosado
Ela (ainda) não sabe que eu pus esse poema aqui. Espero que quando descobrir, não se zangue. É que ela é tímida com seus textos. Mas se ela quiser, tiro. Só não tiro minha declaração de amor, porque isso é meu e meu.
Quando nos reencontramos pela primeira vez, muitos anos atrás, ela ouviu minha voz e eu a sua.
Nos reconhecemos. Estava claro: amigos desde sempre, como poucos outros o são. Naquele tempo ela não escrevia, mas lia, bastante. Cantava muito, tocava violão e ouvíamos, horas sem fim, os discos de que tanto gostávamos. Ela os tinha, eu os usufruia. E assim passávamos as horas, conversando sobre tudo e ouvindo música. MPB, só MPB (éramos radicais). Só Elis, Tom, Gal, Bethania, Chico, Caetano, um pouco de Djavan... aprendemos muitas músicas nessa época. Eu escrevia, lia para ela e ela ouvia. Ainda jovem e, como eu, ainda não burilada no gosto, gostava do que ouvia.
Agora, Sadrinha, Sandrix, cresceu. Não por fora, que ela continua pequena, mas por dentro. Virou uma gente de coração assim maior do que o peito, às vezes acho até que maior do que a vida. Inteligente, sagaz, de olhos apertados quando lê, de voz pequena mas doce que quando canta (perdoem a rima pobre) me encanta. Ela me surpreende quase sempre - coisa que muita gente não consegue mais. Ela o faz, e sempre desse jeito bom, desse jeito amigo que quando desata o nó do peito mostra uma luz sempre variada, que lava e limpa a tristeza do rosto da gente.
Sandrinha, Sandrix, cresceu. E escreve. "Que nem gente grande" (risos). Este é o poema que ela escreveu a propósito... bem, vocês verão:
A Garrafa Pet
08/05/2009
No sinal fechando
Desacelerei meu bom carro
Meu som alto
Meu bom mundo
No sinal fechado
Ele vinha contente
Sorrindo bem distante
No mundo bom dele
O menino contagiou-me
Sorri junto e fiquei feliz
Debaixo da linha do metrô
No bairro de Santana
Um menino de farol
E seu carro imaginário
Num instante inesperado
Dei-me conta do que via
Ele mesmo não sabia
Que o brinquedo em que ele estava
Não passava de uma rasa e
Bem amassada garrafa pet
Sem roda
Sem banco
Sem som
E sem direção
Seu sonho o conduzia
Nesta triste alegria
E o menino continuou
No seu carro bom
by Sandra Regina Rosado
Ela (ainda) não sabe que eu pus esse poema aqui. Espero que quando descobrir, não se zangue. É que ela é tímida com seus textos. Mas se ela quiser, tiro. Só não tiro minha declaração de amor, porque isso é meu e meu.
A última pergunta
sempre será a primeira.
será?
"dados insuficientes para uma resposta significativa"
mas uma leitura de The Last Question, de Isaac Asimov, pode ajudar a pensar.
se você (ainda) não lê em inglês, leia aqui A Última Pergunta.
será?
"dados insuficientes para uma resposta significativa"
mas uma leitura de The Last Question, de Isaac Asimov, pode ajudar a pensar.
se você (ainda) não lê em inglês, leia aqui A Última Pergunta.
11 de mai. de 2009
O prazer de receber o livro

Foram dias de espera e ansiedade. Por causa de uma aula sobre o Modernismo (e mais ainda, devido ao entusiasmo com que minha professora de Literatura Brasileira apresenta o tema, o livro e o autor), comprei, pela Estante Virtual, a edição crítica de "Macunaíma - o herói sem nenhum caráter", de Mário de Andrade, organizada por Telê Porto Ancona Lopez (1978, edição da Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia de São Paulo).
Hoje, finalmente, o livro chegou. Um aparte, antes de continuar, para fazer um comentário sobre o sítio da Estante Virtual: por três vezes ele me proporcionou belos encontros com obras que há muito eu vinha procurando e não encontrava: a primeira com um livro de Mattoso Câmara ("Para o estudo da fonêmica portuguesa" - Padrão Livraria Editora, 1977), a segunda com um de Waldemar Ferreita Netto ("Introdução à fonologia da língua portuguesa" - Hedra, 2001) e agora esta edição crítica de "Macunaíma" que, segundo consta, está há muito esgotada. Um serviço inteligente, rápido e seguro em todas as vezes que dele precisei, além de ter me dado a oportunidade de conhecer pessoalmente algumas livrarias muito interessantes do centro velho do Rio de Janeiro. O criador do sítio está de parabéns e eu recomendo a visita (não, não estou ganhando nenhuma percentagem de desconto para fazer propaganda, mas acho que precisamos aplaudir iniciativas que dão certo e proporcionam serviços de qualidade; é mais útil do que ficar simplesmente resmungando e reclamando daquilo que não funciona - para isso existem os Procons e outros órgãos sérios).
Mas, voltando ao livro. O prazer de recebê-lo quase se igualou ao da leitura, que refiz para o percurso proporcionado pela professora. O que antes me parecera um texto desconexo, um catálogo de termos folclóricos recolhidos por Mário de Andrade de repente passou a fazer muito sentido e se tornou uma deliciosa leitura, uma leitura de descoberta: da arte de seu autor, de suas angústias, de seus anseios, de sua crítica e arguta visão do movimento que ajudou a criar. Macunaíma, o livro, virou um percurso de prazer e de observação de um tempo e de um desejo ideológico que não se cumpriu.
Quando o pacote chegou, embrulhado em papel pardo, com o endereço escrito a mão, a estampa do Correio, o mundo se apagou por alguns minutos. Havia um prazer antecipado, como o do explorador que saber que atrás da parede ou debaixo daquele solo encontra-se um grande tesouro. Tenho paixão pelo objeto livro. Sua forma, sua capa, suas possibilidades de comunicação antes mesmo de ser aberto. Gosto das lombadas, das orelhas, das jaquetas (quando as têm). Gosto de pensar que, fechado, é um bloco de papel, quase um objeto qualquer, algo que poderia passar despercebido pelos nossos sentidos, mas que aberto funciona como um gatilho para a imaginação, um pista de decolagem para os vôos do pensamento. Por isso esse antegozo diante desse objeto fechado.
Não sabia como era a capa do livro, nem em que estado ele de fato estava (a descrição da livraria cadastrada no Estante não dava muitas pistas, embora dissesse que ele estava amarelado e com marcas de uso). Aberto o pacote - não sem antes provocar minha colega de trabalho, que também faz Letras, mas em outra faculdade, exibindo puerilmente orgulhoso o embrulho pardo - fiquei alguns minutos olhando a capa, pesando o livro em uma mão, na outra, nas duas. Abri-o, com cuidado. Está quase soltando na lombada a capa, pelo que precisarei contar com o auxílio luxuoso de minha amiga Luisa, aprendiz de restauradora de livros, ou até mesmo de minha outra amiga, Daisy, que fez para mim uma belíssima encadernação em um livro de contos do Tosltoi, embora tenha levado quase quatro anos para me entregar o volume pronto. Pensando bem, pelo menos por enquanto, melhor não. Melhor cuidar dele aqui mesmo, lê-lo (para o trabalho da faculdade, claro) e só então entregá-lo ao meticuloso cuidado de minha amiga que, apesar do nome, é uma japonesa de fala mansa e excelente conhecedora de seu ofício (é livreira das boas).
Depois de folheá-lo um pouco, fechei-o e guardei-o com carinho na mochila. Infelizmente não poderia começar a explorá-lo alí, no escritório, embora o trabalho de hoje bem merecesse ser ignorado em favor do prazer da leitura. Mas cheguei em casa, gazeteando uma chatíssima aula de sintaxe do português (gramática gerativa - para aqueles que juram que entendem o que o Chomsky fala), para poder contar dessa aquisição. Depois, se tudo der certo, inclusive meu trabalho de faculdade, conto o resultado da leitura.
Abraços,
F.
Ilustração: página XXXI da introdução da edição crítica, que reproduz a capa anotada por Mário de Andrade.
3 de mai. de 2009
Nota de Falecimento
Faleceu no último dia 08/03, às 15h35, Vassily Kandinsky, amado pinguim de geladeira residente à Rua B. nº ..., vítima de queda súbita da mesa da cozinha motivada pela pressa do dono da casa em aquecer seu almoço no forno de microondas sobre a geladeira.
Os despojos sairão da residência nesta sexta-feira, 13/03, no horário de coleta do caminhão da prefeitura.
A família, pesarosa, despediu-se definitivamente de seu amigo nesta manhã. Foram 18 anos de harmoniosa convivência e seu espaço sobre a geladeira será sempre preservado pela memória de sua presença.
13/03/2009
Os despojos sairão da residência nesta sexta-feira, 13/03, no horário de coleta do caminhão da prefeitura.
A família, pesarosa, despediu-se definitivamente de seu amigo nesta manhã. Foram 18 anos de harmoniosa convivência e seu espaço sobre a geladeira será sempre preservado pela memória de sua presença.
13/03/2009
Assinar:
Postagens (Atom)
